segunda-feira, janeiro 29, 2007




Hoje o sol nasceu e pôs-se como em todos os outros dias… Fez frio, o tempo passou rápido. De vez em quando ficava sozinha, parava por uns segundos a olhar o vazio, o ar como se nele existissem imagens da minha vida, daquela que eu imaginei, daquela que eu queria, mas que no fim de contas não passava disso mesmo, imagens, anseios, expectativas, fantasias minhas.
Mas o dia passou como qualquer outro, como se tudo em mim tivesse parado de sentir para não sentir apenas tristeza.
Pensei que esta coisa das relações, de duas pessoas, do amor, era simples, extraordinariamente simples… Não é.
Gostar só não chega, com o tempo o gostar muito, gostar tanto que até dói passa a ser o que menos interessa, passa a ser só o pretexto para duas pessoas estarem juntas…

domingo, janeiro 28, 2007

Primeiro esta dor, este coração apertado, esta incerteza sobre a vida…
Este sentimento de frustração total, como se tudo o que foi tivesse sido em vão, a insatisfação de saber que nada daquilo que haveria de ser será…
Agora dói, dói mais que ontem, amanha vai doer ainda mais, será uma caminhada crescente até ao ponto em que não se aguenta mais a dor, e ai ela passa simplesmente a conviver connosco, é a nossa anestesia, é o nosso combustível…
Dói, agora dói muito…
A certeza de que todas as minhas certezas eram falsas, a certeza de que agora não sei que fazer mais de mim…

sexta-feira, janeiro 26, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

Viagens...

Fecho os olhos, lá fora correm luzes, sombras, escuros…
Espalmo a cara no vidro, sorrio como uma criança. Lembro-me de quando era ainda uma gaiata. Da excitação que era ir assim à deriva, dentro de um carro pela noite fora. Aquela pitadinha de alucinação alcoólica, aquela imensa sensação de possibilidade, de impressibilidade, de fantasia…
As cores! As sombras, de novo um candeeiro de rua. Vermelhos, amarelos, escuro.
Vultos, vento, o saco que rola na rua, os dois pontos vermelhos do gato esguio que atravessa a estrada. Fantasia… Como uma bolha insonorizada, em que nada chega, nem um som, nem uma interferência, nada…e ouve-se aquela música, só dentro de nós, como se fosse a banda sonora do mundo.
O mundo pintado na nossa imaginação, pelo mundo que rola lá fora à velocidade a que vai o carro…
E a vida apresenta-se dentro de mim, transforma-se, revive-se, dramatiza-se… A vida é por momentos como eu queria que fosse…
Até que o carro pára, a bolha rebenta e o mundo volta ao normal…

domingo, janeiro 14, 2007



Ver a nossa vida ficar para trás, sendo uma imagem cada vez mais pequena no espelho retrovisor doí...

Fica o meu coração pequenino, apenas preenchido com a imagem baça que vai ficando para trás... Fica o meu coração ansiando pelo próximo dia em que o caminho vai estar de novo à minha frente...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A caminho de Portalegre...


Haverá coisa mais difícil de explicar do que esta sensação de iminência de algo, esta ansiedade de se cumprir as etapas, este dia inteiro de ansiedade, com constantes olhares disfarçados para o relógio que não avança...
E já é hora de almoço. E depois virá a tarde. Quando sair o trânsito vai estar contra mim, a avenida cheia, a ponte entupida… Já vai ser de noite.
Depois, depois serão quase 200km escuros, ora de estrada boa, ora de estrada apertada. Toda ela conhecida.
O rádio ligado nas horas das noticias, o mp3 quando me fartar de ouvir vozes estranhas, de novo o rádio.
Mas quando ao fundo daquela grande recta se avistar a colina, aquelas luzes tão familiares dispersas pela encosta, aqueles 19 kms a partir da placa de informação sempre em frente rumo à minha Portalegre, serão feitos com um grande suspirar de alívio.
Cheguei, cheguei a casa!
E ai tudo vale a pena, a ansiedade do dia. Os dias todos que tiveram de passar antes de lá chegar.
Mais uma olhadela ao relogio pelo canto do olho…
Ainda é cedo nesta tarde… Ainda tenho muito que esperar.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Um sítio maravilhoso como Arronches, boa comida, boa musica, muito boa companhia…
Que mais poderia eu pedir para começar o novo ano!!!
Se 2007 for tão bom, com tanto agito, com tanta emoção como foi a passagem de ano, poderei dizer, que belo ano que ai vem!!!

Desejo um bom ano a todos*

quarta-feira, dezembro 27, 2006


O tempo passa. Sinto-me cada vez mais como um larva à espera de se tornar borboleta.
Não sei se o meu casulo está a ser feito à altura, não sei se as minhas asas serão bonitas, se eu voarei alto, se a minha vida enquanto borboleta durará apenas segundos ou se eu poderei voar livre pelos céus o resto dos meus dias…
Não sei se ser borboleta será melhor que ser larva, não sei de nada.
Sei que tenho medo, medo de tudo e de nada, tenho medo do mundo que se avizinha...

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Hurt - Johnny Cash

terça-feira, dezembro 19, 2006

Summer Time - Janis Joplin





Saudades do Verão...

Passa uma velhinha… Segue-se o cego com as lengalengas, pedem esmola de caixinha em riste por entre os solavancos do metro.
Encolho-me no meu lugar, olho em volta. Vejo olhares vagos, pessoas que olham para o lado como se ao ignorarem a pobreza deixasse de estar ali.
Revejo nos olhos dos outros a minha vergonha, a vergonha do mundo por ignorar.
Vejo a culpa sentida por todos, vejo a inércia, vejo a redoma que se cria entre os mundos, de um lado estações brilhantes, novas. Do outro estações porcas, escuras cheias de escoria.
Não podemos mudar o mundo, mas não seria um gesto de generosidade um começo?
Não seria esse gesto só mais uma maneira de tirar dos nossos ombros um pouco da culpa…. No fundo sabemos que esse gesto é vão. Encolhemo-nos no lugar, fingimos que não vemos, ignoramos, entramos no nosso mundo dourado. Era preciso muito mais que uma esmola para mudar isso, era preciso mudar o mundo...

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Luzes, câmaras, acção. Carros que passam, que param, arrancam, apitam.
Esta sensação de urgência, este corre de um lado para o outro, este estar-se sempre na eminência de algo.
O tempo que passa depressa, passa devagar, não passa. Estagna. Nunca o faz ao nosso ritmo.
O jornal que só trás notícias horríveis, a estrada entupida, a caixa cheia, o provador a abarrotar, as pessoas que passeiam cheias de calmas e nos impedem de passar, este stress, esta coisa de que o tempo nunca vai chegar.
E depois estas saudades de passear sobre as pedras da calçada molhada, com meia-luz de madrugada, com todo o tempo do mundo como se o dia não fosse raiar nunca.
Estas saudades de abrir a janela pela manhã e deixar entrar o sol, o vento e ficar simplesmente a olhar a rua, ainda com os olhos entreabertos, sem pressas, sem urgências, sem mais nada senão todo o tempo do mundo para ali ficar.
Esta confusão de vida que não acalma. Sinto-me uma estrangeira dentro de mim, como se não conhecesse os meus lugares, as minhas rotinas, os meus tempos mortos de reflexão. Como se não reconhecesse mais a mim mesma. Não tenho tempo para
pensar-me.
E depois sucedem-se coisas atrás umas das outras, os dias nascem atrás uns dos outros.
Sinto falta…
Sinto falta de tanta coisa…
Tenho tantas coisas novas, sinto falta de tantas coisas na mesma.
Parece que vai ser sempre assim, vai-me faltar sempre algo indefinidamente.
Sempre assim foi….

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Frio....


Que frio, está simplesmente um frio de rachar…
Definitivamente eu fui talhada para viver nos trópicos por entre chuvas tropicais e temperaturas amenas sempre acima dos vinte e cinco graus. Não gosto de frio! Os casacos irritam-me, a rotina atrapalha-se. Deixa-se de aproveitar o dia, de passear, de fazer tanta coisa só porque estar na rua é uma prova difícil de superar.
Em casa não se realizam certas tarefas porque o único sitio confortável é mesmo debaixo das mantas.
Tanto frio…
As mãos gelam enquanto tocam nas teclas do computador, os pés passam ao estado constante de glaciar. Apetece comer, beber leite quente e ficar indefinidamente na cama, ficar lá até que desponte os primeiros raios de primavera e do frio nós nos passemos a queixar do calor…

quarta-feira, dezembro 06, 2006



Sinto falta da minha gatinha... Há lá coisa mais linda que a Miss Mia Wallace com um ar ameaçador?

Que a Miss Mia Wallace a dormir no sofá? A roçar-se nas nossas pernas e a reclamar por tudo e por nada, e no fim, no fim lember-nos a mãos em forma de agradecimento por uma festinha feita na altura certa?

Miau...

sábado, dezembro 02, 2006

007 - Casino Royal


Fui ver o tão aguardado 007 Casino Royal. Estava expectante. A saga do famoso agente secreto sempre preencheu o meu imaginário, convivo com ele desde pequena nas intermináveis sessões de domingo à tarde.
Sei nomes de personagens com trinta anos, de uma época que não é a minha. Mas gosto sempre gostei.
A tão aclamada renovação veio realmente, este Daniel Craig é um agente secreto diferente. Ainda não bebe Vocka Martini, ainda não escolhe a preceito o corte do fato.
È crente, comete erros e apaixona-se, sofre e fica à mercê dos maus. James Bond não se presta muito a essas vicissitudes.
Mas este novo Bond é mais grosseiro, mais real, sem grandes engenhocas e com um lado muito mais humano do que seria de esperar. Ele é frio ao mesmo tempo que nos demonstra ter coração, ele comete atrocidades e ama, ele perde e ganha para no fim aprender a grande lição.
Gostei deste Daniel Craig e deste James Bond. Não sei qual será a linha a seguir, mas penso que nos dias de hoje é necessário muito mais do que um galã charmoso no ecrã para nos prender. Este agente secreto tem de ganhar consistência dramática, tem de ter memórias, paixões, segredos. Tem de ser simplesmente mais humano.
Gostei do filme no seu global, senti-me bem no cinema.

Regina Sepktor - Ode To Divorce

M.Ward on Letterman

Tem sido a companhia de viagens, dias de trabalho e de noites dificeis de dormir. Este senhor, e a menina Regina Spektor :)

segunda-feira, novembro 27, 2006


Toda a vida isto, esta culpa de querer ser diferente, de querer ser livre. Esta vontade de mandar parar o autocarro, descalçar os sapatos e correr pelos campos molhados e sentir o vento frio no rosto.
Sempre esta vontade oprimida de poder ser eu a decidir, de decidir e ser responsável pelas minhas decisões. Nunca fui, nunca me deixaram decidir.
Sempre esta culpa de querer fazer, mas não o fazer porque isso iria ferir esta ou outra pessoa, sempre esta merda de situação familiar, de contingências, de deveres, de não poder melindrar as esperanças que depositam em nós. Sempre algo primeiro, porque não temos condições financeiras, porque é o nosso pai, porque temos sonhos e não os podemos realizar sozinhos, e ninguém nos está disposto a ajudar assim, desinteressadamente, há sempre um “payback time”.
Cansei. Cansei de viver contrariada, de não poder, de não fazer, de não decidir, de ter medo de que se descubra. Cansei da adrenalina da clandestinidade, das falsas verdades, das meias verdades, das verdades disfarçadas, deste mundo que eu criei para disfarçar a minha incompetência em gerir a minha vida, a minha incompetência em decidir por mim, a minha fraca auto-estima, o meu medo! O medo enorme que sempre tive de ser eu, desta maneira que sou, de perder, de errar, de não sei, simplesmente de não estar certa.
Agora estou a largar-me ao vento, estou a cortar estas amarras, a deixar cair estas âncoras, este sufoco que sempre me prendeu a vida.
Fiz muita asneirada pelo caminho, na procura deste momento enganei-me muitas vezes, mas desta vez sinto-me leve, sinto-me livre, desta vez o que acontecer será só minha responsabilidade, será só a minha opção, serei eu a dar contas a mim e aqueles que amo.
Ficam coisas para trás, ficam coisas caídas no chão, outras dores, outras raivas, mas não são minhas, não vão ser mais. ..

sexta-feira, novembro 24, 2006

Um azar nunca vem só...


Não bastava já estar a chover torrencialmente, serem quase nove e meia da noite, e eu já ter muitas horas de movimento nas perninhas, avaria-se o carro bem ali ao pé da gare do Oriente.
Chovia tanto que quase não conseguia ouvir o senhor da assistência em viagem no telemóvel…
Quatro dias em Lisboa e o meu velhinho chaço não se aguentou! Será possível que as coisas não me podem correr simplesmente bem?!
Quando eu começo a ver o ponteiro do gasóleo a baixar drasticamente, seguido de uma apagão total do sistema eléctrico encostei antes que entrasse em vias mais complicadas.
E ali fiquei eu, dentro do carro, a ouvir chover e a ver os outros passarem enquanto não chegava o reboque.
Chorei de raiva. Porque sabia que hoje o dia ia ser muito complicado, porque eu estava tão ansiosa por ir hoje de novo para Portalegre, queria tanto, ansiei isso toda a semana e agora estou presa aqui. Estou presa aqui, com um carro empanado para arranjar, e ainda por cima lá tenho de ir dar satisfações à entidade paternal que anda muito pouco satisfeita comigo.
Há pouco mais de uma semana eu estava quentinha na minha cama, brincava com a mia, olhava pela janela a ver chover e sorria… estava feliz.
Agora é só problemas, transito, solidão e muita, muita saudade de tudo o que lá está…
Ninguém disse que ia ser fácil, e não está a ser!