Quanto mais leio sobre jornalismo e jornalistas...mais me convenço que devia ter tirado um curso de agricultura, é que as couves podem ter coração, mas não chegam a ter umbigo...
quarta-feira, março 26, 2014
Será que quero mesmo voltar a estudar Jornalismo?
Quanto mais leio sobre jornalismo e jornalistas...mais me convenço que devia ter tirado um curso de agricultura, é que as couves podem ter coração, mas não chegam a ter umbigo...
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Angie Mendes
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sexta-feira, março 21, 2014
“Frankly My dear... I don´t Give a Damn”
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quarta-feira, março 19, 2014
A beleza...
A beleza de uma tarde de sol e vento fraco, apenas uma brisa.
Estou fascinada pela beleza das pequenas coisas...
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segunda-feira, março 17, 2014
"There is no love of life without despair of life." Camus, A,
Sai para a rua e respirei. Ar frio e vivo a encher-me os pulmões, quase a queimar de vida. Essa necessidade eléctrica de me mexer, essa energia pouco positiva a transbordar, a querer sair e abandonar-me.
"Olha para ti, podes estar com quem quiseres, podes escolher. És bonito, és charmoso. És relativamente jovem e desimpedido. Porquê comigo?
Eu que sou um significante nada. Que não sou bonita nem feia. Nem alta nem baixa. Que falo baixo e me fica tanto por dizer.
Logo eu, a desenquadrada, eternamente deslocada onde quer que esteja. Eu? Que nem sou assim fã de pessoas e só agora estou a aprender a viver. Questiono-me e espanto-me. Queria saber."
Inquieta-me o escuro, essa vontade que me surge de as salvar, de as retirar da inercia da vida, desse quotidiano que achamos que temos de viver. Inquieta-me que me inquiete.
Porque revejo os pequenos nadas nas duvidas da sua existência. Da minha própria existência e insatisfação.
Como Sissifo, carregando a pedra pesada que é a nossa mente, ela sempre rolando, recuando, dizendo-nos que não.
Continuamos no absurdo da vida?
E essa ausência de explicação... a incerteza. É incessante. As duvidas, o desconforto. Deviam ser boas, deviam ser motivantes. As dúvidas lançaram homens ao mar e descobriram novos mundos.
Estaremos acomodados no dia que descobrirmos todas as certezas.
As dúvidas são inquietação.
A inquietação é criadora.
Criamos inquietos.
Vivemos. Inquietos e cheios de dúvidas.
Estamos vivos.
(Mesmo sem saber o que estamos aqui a fazer.)
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segunda-feira, março 10, 2014
A Síndrome da solidão.
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11:45 p.m.
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quinta-feira, março 06, 2014
Cadernos da Cidade Nova I
Só nos resta a certeza que nunca se darão a nós, devemos parar antes que se tornem corrosivas.
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10:24 p.m.
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quarta-feira, março 05, 2014
Ensaios sobre a memória II
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domingo, março 02, 2014
Ensaio sobre a memória I
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domingo, fevereiro 23, 2014
“Her” : o EU e a necessidade de confirmação.
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quarta-feira, fevereiro 19, 2014
Na “terra” das primeiras coisas…
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quarta-feira, fevereiro 12, 2014
Sentimento de Possibilidade...
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domingo, fevereiro 09, 2014
Borboletas na barriga...
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quarta-feira, fevereiro 05, 2014
Sempre os dias...
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segunda-feira, fevereiro 03, 2014
"Should I..."
Às vezes confronto-me com a ideia de que não faço a mínima ideia do que estou a fazer, nem do que quero fazer, nem de onde é suposto ir a seguir.
Do que é suposto ser ou fazer para além de estar viva. Do que é suposto pensar em dias de chuva, no silêncio da escuridão... O que é suposto fazer ou ser? Não faço a menor ideia...
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quinta-feira, janeiro 30, 2014
Das relações e outras ralações…
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sábado, janeiro 25, 2014
A arte de ouvir...
As Pessoas falam. Às vezes de coisas simples, de trivialidades, sobre o tempo. Outras vezes despejam os restos da sua alma magoada nos nossos ouvidos.
Percebi ao longo dos anos que a maior partes das vezes, as Pessoas não querem conversar, querem falar.
Ser ouvidas numa última esperança que a sua ladainha interior tenha um rosto.
Há coisas que só se tornam reais quando tomam a forma de palavras, ditas ... Ouvidas.
Falar é então um acto solitário, um monólogo em que o outro é a plateia. Em vez de palmas incentiva com monossílabos, expressões indignadas, risos de alegria.
Mas é tudo. Podes até tentar introduzir debate, ideias, desconstruir a situação. Mas não há espaço, as Pessoas não querem conversa. Querem ouvir-se. Querem que tu as ouças. E num acto de compaixão ouves, mesmo que seja uma experiência extra- corporal, mesmo que estejas a ouvir um piano imaginário em segundo plano. Ouves.
E às vezes, essa disponibilidade, ouvir, pode salvar-lhes o dia.
Sinto que são cada vez mais como crianças. Mas crianças com memórias.
As memórias perdidas no vácuo do tempo, repetindo-se num eterno retorno de momentos vividos, quando não se criam novas memórias, não se vivem novas sensações, são corrosivas, transformam-se numa adição.
Nos dias livres de encargos, de hobbies, vivendo um mundo interior incapaz de preencher o propósito de uma vida, tornam-se então crianças que perguntam o porquê de tudo quanto é novo, renegam o desconforto de um mundo desconhecido, esta modernidade criada sem o seu consentimento.
São crianças, dessas que não podemos contrariar, endossadas pela experiência de vida, cheios da verdade que nós só daqui a uns anos poderemos alcançar. Mas crianças, ironia última da existência, regredimos lentamente até à obscuridade de onde viemos.
"Senta-te e ouve. Porque vês, ali naquele lado do campo ainda não há água, mas costumava haver. Entrava de mansinho pela lezíria acima, o Tejo falava. Na crueldades do inverno, chovia... Um ano choveu sete semanas sem parar. E o Tejo falava com o campo, acariciando-o antes de o tomar.
Vínhamos a pé, lá de longe bem sabes, juntos em rancho pela madrugada. Aqui neste lado, olha a quinta caída a miséria que era. - Mais miseráveis somos agora, olha a quinta caída. - Aqui as mulheres arregaçavam as mangas a apanhar vides, tinhas de trabalhar, num rancho ninguém quer ficar para trás, não ficavas, mesmo que as bolhas te rebentassem nas mãos e os pés negros de frio se isolassem do teu corpo submersos na água presa nos regos das vinhas. Vocês sabem pouco nestes dias, a fome. E os dias sem descanso, de sol a sol, ainda que o sol fosse fraco e o gelo não derretesse nunca debaixo dos nossos pés. Sabem cada vez menos vocês nestes dias."
É tudo difícil de imaginar no conforto dos tempos, ali prostrados a beira da estrada meio esburacada do caminho do campo. Ao longe o sol sorri à cidade alta, as portas do sol, na planície o vento sopra forte por debaixo de um céu negro e acima da terra ensopada.
Mas aproveita o silêncio, se fechares os olhos e ouvires o correr do rio, se prestares atenção ao silencio ensurdecedor do campo podes vê-los por ali, dedicados as suas tarefas, carregado o fardo pesado.
E sente, nesse silêncio o vibrar do chão ao passo dos cavalos na terra batida. Nesse silêncio dos sítios inertes onde já houve vida. As casas caídas, os quintais abandonados, os que restam enterrados em vida.
Repete-te: "Sabem cada vez menos, vocês por estes dias."
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quarta-feira, janeiro 22, 2014
O fim das coisas...
"........"
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segunda-feira, dezembro 30, 2013
O ano do meu descontentamento...
P.S. Feliz Ano Novo.
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sábado, dezembro 28, 2013
O Corpo…
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sábado, dezembro 14, 2013
Crenças...
Durante a escola, o meu pai achou que eu não devia fazer a educação moral e nunca, na minha casa, se teve ritos ou crenças para lá do senso comum de uma educação ocidental.
Posso enumerar pelos dedos das mãos as cerimonias religiosas a que assisti. Três casamentos, dois funerais, uma missa de 7°dia, um batizado e a minha própria queima das fitas.
Por outro lado, a iliteracia religiosa sobressai nesses momentos aos quais devemos comungar com os outros. O não saber qual a resposta à ladainha da missa mantêm-me de boca fechada desfarçando um certo embaraço, porque provavelmente fiz os gestos ao contrário, porque devemos impor respeito nos momentos de fé. Aquilo deve dizer algo, deve ser emocionante, espiritual e o meu ar de ser ausente não se compadece. Apenas ai existo questionando-me sobre o que será suposto sentir.
Quando não pertences, olhas para baixo, focas os pés, meditas. Como qualquer provação eventualmente chegará ao fim. A ignorância é então o meu estado de graça.
O que não quer dizer que não tenha fé. Toda a nossa educação é de alguma forma reliogiosa. O nosso conceito de culpa e de pecado. Contínuo a lembrar a Santa Bárbara quando faz trovões.
Sinto de alguma forma respeito pelos templos, pelos espaços, mesmo que desconfie das instituições. Acendo velas em Fátima, de forma desprendida. Imagino que se pedir, há uma qualquer probabilidade de ser ouvida.
Questiono-me muitas vezes se essa ileteracia me exclui. Se posso ser ouvida se não faço parte. Se faz sequer sentido pedir. Ou se posso acreditar que a sugestão do pedido em conjunto com essa força do desejo nos pode simplesmente sugestionar e impulsionar a ser mais positivos, que a crença de que temos ajuda dívina nos permite fazer coisas acontecer.
Todas essas questões são inócuas a maior parte do tempo. Não nos surgem num domingo de manhã em que em vez de ir à missa dormimos até à hora do brunch, nem nos atormentam quando escolhemos o bife para o almoço numa sexta—feira Santa.
Essas questões vagueiam em nós apenas nos momentos de perda, de dúvida ou grande desilusão. Quando precisamos de explicações, ou quando confrontados com a falta de sentido, com o vazio, nos olhamos e pensamos que precisávamos de crer em algo, ter fé.
Toda esta conversa porque me é difícil, mesmo com o respeito que tenho pelos espaços, perceber, aceitar e até mesmo sentir essa conexão espiritual com símbolos presentes. Com as caixas das esmolas ou com as vias sacras manchadas dos que passam de joelhos. Com as croas de ouro no topo de Torres ou com o ar magistral, tão imponente como opressivo de toda a construção.
Impõe-se depois o folclore de lembranças, de cores garridas em objectos "kistch" daqueles que sempre se viu perdidos pelos móveis em cima de naperons rendados. Desses que jurámos que nunca os iríamos ter.
Nessa mescla de contradições, entre a necessidade básica de apaziguar as dúvidas da existência e todo um pensamento abstracto perante as crenças e as religiões, onde fica a nossa fé? Para onde a dirigimos?
Aceitamos que a temos, ou vivemos num ligeiro cinismo descrente?
Tornamos-nos por fim subscritores das teorias do absurdo e da aleatoriedade da vida?
Ou cremos no sentido?
Aceitamos por fim uma explicação, porque sim, é mais confortável crer...?
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Angie Mendes
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