sexta-feira, setembro 07, 2007

A caminho de casa...

quinta-feira, setembro 06, 2007

Pelos vistos tenho de ir visitar Dublin!

You Belong in Dublin

Friendly and down to earth, you want to enjoy Europe without snobbery or pretensions.
You're the perfect person to go wild on a pub crawl... or enjoy a quiet bike ride through the old part of town.

terça-feira, setembro 04, 2007

Pequena historia

Ali estava prostrada na sua cadeira, frente ao seu computador, roendo o mesmo lápis de sempre, ouvindo um avião baixar por cima de si preparando-se para aterrar, vendo o reflexo na janela do mesmo autocarro a passar, mais ou menos à hora de sempre. Dia após dia.
Não lhe apetecia fazer nada, mesmo nada, nem pensar.
Mas havia muita coisa em que pensar, muito caminho à sua frente. Desta vez era a sério, não se tratava de escolher entre esta ou aquela blusa na loja da esquina, nem mesmo de discutir á mesa qual o prato a pedir. Agora era mais a sério, e embora a sua aparente calma não transparecesse, dentro de si existiam muitas dúvidas.

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Há uns anos havia pensado para si que existia um destino. “O destino encarregar-se-á de mim”- Pensou.
Isso ilibava-a de toda e qualquer responsabilidade daquelas escolhas débeis, afinal eram escolhas do destino e não dela.
Os anos foram passando, e dos seus trambolhões sempre foi essa a sensação que lhe transpareceu, não queria para si o livre arbítrio concedido aos Homens, chegar-lhe-ia deixar-se levar, ver o mundo a acontecer. Chegar-lhe-ia que as opções se tomassem por si só.
“Decidir é tão complicado. Tanta responsabilidade num pensamento só. Numa única palavra proferida. Sim. Não.”
E isso agonizava dentro do seu ser, a culpa da escolha, a recusa do fracasso, a responsabilidade de ter dito a palavra-chave que mudou a sua vida e que ajudou a mudar a dos outros.
“Pensamentos infantis” - percebeu mais tarde. O destino não decidia nada por si, e aquilo que acontecia era apenas um sopro comparado ao vendaval que poderia ser a vida, a vida escolhida.

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Estava agora ali confrontada, consigo e com aquilo que queria de si e para si.
Da estabilidade daquela janela cruzada de grades, daquela secretária ampla cheia de papéis, daquela cadeira com braços e almofada, daquilo tudo que o “destino” lhe havia trazido, emergia uma certa conformidade cósmica.
Tudo estava no seu lugar, igualmente no seu lugar há vários anos.
Mas nos últimos meses alguma coisa havia mudado dentro de si. Um certo inconformismo, uma certa certeza de estar a passar ao lado de algo muito importante.

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Sempre fora uma piegas. Chorava no fim dos filmes acabassem bem ao mal, e nunca resistiu em levar consigo qualquer bichinho com ar abandonado que encontrasse pela rua. Sucumbia depois à evidência de que não os poderia reter no seu minúsculo apartamento e era obrigada a deixá-los, lavada em lágrimas, no canil mais próximo.
Apesar desse seu coração mole, sempre fora demasiado distraída e demasiado dentro de si para se aperceber do mundo à sua volta, não daquele mundo trepidante das ruas cheias de gente e de movimento, mas daquele outro mundo agonizante, daquele que gritava, daquele a que toda e qualquer ajuda seria necessária
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De facto, fazendo uma retrospectiva alguma coisa em si havia sido sempre demasiado frívola. Nunca se tinha realmente preocupado. Mas depois daquela queda estúpida. Depois de tantos meses imobilizada naquela cama olhando unicamente para o tecto.
Depois de se ter sentido a mais frágil, a mais abandonada das mulheres, depois de se aperceber que afinal, e no meio da sua frivolidade estava só, algo havia realmente mudado na sua maneira de sentir o mundo.
Havia coisas a mudar.

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Naquele fim de tarde, igual a tantos outros parecia que nada de importante poderia acontecer. Escritório já meio vazio, dois ou três monitores debitavam luz. Um zunido frágil ao fundo indicava que alguém fazia café.
“Ainda vou demorar, um café vem mesmo a calhar.” – Pensou.
Avançou rapidamente entre a confusão de secretárias daquela sala ampla atravessada por dezenas fios eléctricos, carrinhos de papéis, arquivos e o que de mais se possa imaginar.
Chegou ao fim da sala, pegou no seu café ainda fumegante, trocou algumas palavras banais com o colega e avançou com o seu café quente por entre o labirinto de postos de trabalho.
Havia subido uns degraus nos últimos anos, naquele lugar e por isso o seu posto era lá mais ao fundo, a sua secretária tinha uma “meia-parede” que a separava do mundo e a sorte tinha-a bafejado com uma janela por de trás de si.

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Há já alguns meses que andava a fazer aqueles planos, para a maioria das pessoas estes não passavam de loucura, muitos achavam mesmo que haviam ficado sequelas graves do seu acidente. Os mais próximos nem sequer queriam falar daquela resolução maluca.
Ninguém conseguia compreender aquilo que ela estava a sentir. Ali. Naquele momento enquanto roía o mesmo lápis de sempre. Enquanto consolidava de vez aquela resolução, enquanto, dentro de si, se preparava para na primeira vez na vida ser responsável pelo rumo das coisas.

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Foi uma fracção de segundo, ali ia ela, de caneca de café fumegante, papéis acabados de apanhar na secretaria de mais uma resistente das horas extraordinárias. Um barulho de telefone a tocar lá ao fundo, um passo mais apressado, alguma distracção, e o seu pé se enrolou num dos muitos fios soltos da sua calha, os papeis caíram para o chão, a caneca desfez-se em mil pedaços encharcados em café, e a seus olhos o mundo desvaneceu-se ao embate com a cadeira e a secretária que estavam prostradas ali a seu lado.
Viu ainda rostos no escuro a correrem para si, sentiu uma dor aguda nas costas e entrou num sono profundo.

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Havia investigado muito, procurado muito e tinha tomado uma decisão.
Ia partir.
Ia deixar aquele lugarzinho malfadado, o seu apartamento alugado nos subúrbios.
Ia deixar todas as pessoas que conhecia, os amigos a sério, os outros que só ocupavam lugar, os colegas de trabalho e a pouca família que lhe restava.
Ia deixar a vida de burguesinha para onde o destino a havia conduzido.

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Quando voltou a si estava imobilizada, enfaixada, inutilizada.
Veio um médico, depois outro. Da sua queda que agora conseguia vislumbrar apenas em câmara lenta, como se de um sonho se tratasse, havia resultado uma vértebra partida.
Esta era bastante perigosa e a qualquer momento poderia fazer alguma pressão sob a medula óssea impedindo-a de voltar a andar.
O tratamento era simples, imobilidade total, absoluta durante uns longos meses.
Primeiro apenas o tecto como visão. A rádio como companhia e algum amigo mais benevolente que perdesse uns minutos a seu lado. Com o tempo as visitas forma sendo mais espaçadas, e as suas solidões mais longas.
Nem um livro, nem a televisão e totalmente dependente de outros teve muito tempo para se rever, para sentir aquela estranha sensação de estar morta em vida.
A sua vida era vazia, de objectos, de sensações, de lembranças, enfim, de grandes decisões.

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A viagem já estava marcada e o passaporte feito. Tudo pronto. Sabia exactamente para onde ia, qual a sua missão. A implicação disso na sua vida.
Hoje era apenas o dia em que deixaria a sua carta de demissão sobre a mesa do chefe.
Era apenas a noite em que iria jantar a casa dos pais anunciar a partida e depois beber um café com os amigos de sempre e explicar a decisão.

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Após longos meses de recuperação, de imobilidade e depois de fisioterapia, medicamentos, avanços e retrocessos, de tanto sofrimento e alegrias em si havia mudado tanta coisa.
Não mais se reconhecia no espelho.
A volta á vida normal parecia-lhe um pesadelo, aquelas coisas que eram suas, ela, ela ali espelhada naquela vida que já não lhe pertencia, aquela normalidade que todos queriam que voltasse.

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Já era dia, estava pronta. Mala feita, os recados dados. Revia mentalmente as expressões de incredulidade, os: “Vais-te arrepender” e “isso é uma loucura”. Tudo, desde as expressões de terror às de admiração. Houve de tudo.
Estava pronta para dar o rumo à sua vida. Ia entrar no avião. Ia rumo a Africa, ia ser voluntária, lá no sítio onde das entranhas da terra sai o grito maior, o grito de pedido de ajuda.
Era inquietante.
Mas ia para um sítio cheio de horrores, e no entanto havia uma ligeireza em si.
Não sabia o que a esperava, a não ser alguém com uma cartolina com o seu nome num pequeno aeródromo nos confins da selva.
Era uma incógnita.
Era a sua vida.
Era um sentido, uma missão.
Era uma decisão sua, e não do destino.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Portalegre...

Grandes fins exigem grandes decisões…Hoje foi o meu dia.
Em Outubro estou de volta a casa!

quinta-feira, agosto 30, 2007

Não se desprendia...


E de repente sentiu-se assim, enraivecida, com uma lágrima nervosa no canto do olho, com medo de explodir a qualquer minuto e nem saber bem porque.
Sentiu tudo aquilo num turbilhão que oscilava entre o medo, o tédio, a angústia total e sombria, á ingénua esperança de que alguma coisa haveria de correr bem.
Como uma criança encolhia-se em si andando pelas ruas sozinha, com ar assustado á espera que alguém lhe estendesse a mão…
Aquela sensação de abandono total não se desprendia…
E embora soubesse não estar só sabia que há coisas na vida, que apenas podem ser feitas na solidão do nosso ser.
Mesmo assim, aquela sensação de abandono total não se desprendia…
Pensava:”Tomara que algo maravilhoso acontecesse e não tivesse de ser eu a revolucionar o mundo, era muito melhor que ele se revolucionasse sozinho, a seu cargo, à sua única responsabilidade.”
Sabia: “ Não irá acontecer, nunca acontece, e como tudo na vida tudo sairá de nós para a nós voltar.”
Mas aquela sensação de abandono total não se desprendia…
Poderia: “Fazer o que me apetecesse, poderia agir como se vivesse sozinha neste mundo, enfim, poderia fingir que não existirá mais o amanha. Só hoje e só o que de hoje conta interessa.”
Mas aquela sensação de abandono total não se desprendia…
Nem na apreciação das pequenas grandes coisas, nas maravilhas da vida, em nada, não se desprendia…
Nem no aconchego do seu mundo, nada.
Nesse dia sentia-se como uma criança rota e perdida por entre ruas estreitas de prédios altos, por entre carros fumarentos e ruas porcas num dia de ventania.
Nada feito, aquela sensação de abandono total não se desprendia…

quarta-feira, agosto 29, 2007

Cliquot (beirut) - paris 2007

sabe bem ouvir...

2ª Semana sem fumar



Já passou mais a ansiedade declarada que senti na semana passada.
Ando com estados de humor estranhos, mas sinceramente não me parece que seja por ter deixado de fumar. Tudo à minha volta me faz sentir assim, cheia de incertezas, estou como o tempo, a entrar num qualquer Outono, de tons pastel esbatidos, de melancolias soltas, de sentimentos que não se sabem explicar.

Só ainda persiste um sentimento de perda estranho de explicar, como se tivesse perdido algo importante, algo que explicasse parte de mim. Às vezes fico sem saber que fazer, deixar de fumar é como que criar um "handicap" social, é como se eu agora tivesse de voltar a formatar-me, existe um novo código de conduta para mim.
Tenho conseguido moderar a alimentação, e não tão regularmente como gostava, tenho feito umas caminhadas. Não é fácil conjugar rotinas por aqui, criar hábitos, seguir linhas.
Um dia porque o transito isto, no outro dia porque aquilo. Também não estou sozinha e tenho de contar com a vida de outros, a rotina é a falta dela.
E apesar das rotinas serem chatas, elas são extraordinariamente necessárias, porque só tendo rotinas é que podemos sair delas.

Às vezes ponho-me a pensar, que aquele cigarro que apaguei a meio no dia 15 de Agosto foi mesmo o último, que jamais voltarei fumar, depois imagino que não posso ser tão radical, quem sabe num dia de festa, e tal. E depois respiro fundo…
Não sei o que me espera, quanto tempo vou conseguir manter-me assim, o certo é que me sinto tão bem! Cheiro bem, o comer sabe bem, respiro bem, poupei uns trocos.
Só bons motivos para continuar.


P.S. Esta semana até o desconsolado café antes do trabalho começou a saber bem. Descobri um novo café aqui ao pé que tem todos os jornais do dia, tipo mostruário, para os clientes acompanharem o café. Afinal, um café sem um cigarro pode realmente saber bem, é só juntar-lhe um bom jornal!


segunda-feira, agosto 27, 2007

Beirut - The flying Club Cup

A ouvir nos próximos tempos...

sexta-feira, agosto 24, 2007

Feira de Agosto

Já lá vai o tempo em que a preparação para a feira de Agosto era quase sagrada. Ele era roupa nova para estrear no dia da Abertura, ele era os almoços de família na rua dos frangos assados, era a recolha pelos avós tios e restantes parente de uma “esmolinha” para andar no canguru.
Um alvoroço do primeiro ao ultimo dia.
O deslumbre que era para mim, quando era criança, o passeio pela rua dos brinquedos. Toda ela em tons de rosa.
Com os anos perdeu-se a maior parte dos rituais. Já não há roupa nova a estrear, já não se pensa na rua dos brinquedos e muito menos no canguru.
Hoje pensamos na rua das tascas, nas ruas de roupa e quinquilharia, a feira hoje é apenas mais um festarola de copos.
No entanto continua a mística, é sempre a Feira de Agosto a encerrar o Verão. Se bem que ainda falta quase um mês para este acabar, a seguir à feira entra-se em Setembro. È o fim das férias, o regresso ás aulas, o acordar de uma vida que estava meio entorpecida pelos dias quentes de verão.
E já anunciaram umas trovoadas para sábado, feira que é feira tem sempre umas trovoadas de Agosto, que vem para fazer abaixar o pó das ruas atafulhadas de gente…





quinta-feira, agosto 23, 2007

Prison Break Season 3 Preview

Ta quase quase ai!
Mal posso esperar...

Um ano de blog

Já vai meio atrasado este post, mas não poderia deixar de assinalar o 1º ano de posts completado no dia 21 deste mês.
Passaram-se umas quantas coisas, agora fiquei meio nostalgica, há um ano atrás tinha acabado de chegar de Berlim com a cabeça a fervilhar de ideias, estava a iniciar o estagio no Centro de Artes do Espectaculo de Portalegre, a curtir as ultimas semanas de Verão entre as piscinas da serra e a praça da republica.
Havia realmente no ar o tal "sense of possibility"!
Já passou um ano, e este ano foi na sua maior parte doloroso, com mudanças bruscas, com muito trabalho, com muitas saudades...
Um ano em que a minha vida ficou suspensa no ar, em que neste preciso momento não a estou vivendo, mas sim sobrevivendo por puro instinto animal que me obriga a respirar involuntáriamente.
Estou ansiosamente há espera pelo ano que ai vem...

No dia em que iniciei este blog não pensei que ele podesse ter este efeito terapeutico em mim, é quase como que um balsamo, não sei quem me lê, não sei na maior parte das vezes o que as pessoas pensam daquilo que por aqui vai aparecendo escrito, mas é boa a sensação de que algures no mundo alguem aprendeu alguma coisa comigo, de que alguém se identificou com o que penso.
È bom abrir a blog e clicar em Agosto de 2006 e ver o que eu andava a pensar.
Afinal, e por caminhos mais ou menos tortos, a quente ou a frio, o tal mapa, o mapa de cheiros, o mapa de qualquer coisa que se passa dentro de mim vai-se materializando aqui.

Ainda faltam muitos caminhos nesse mapa, mas o tempo os desenhará...

Andrew Bird - Imitosis

Novo video!

quarta-feira, agosto 22, 2007

1ª semana sem fumar...

Parece que me falta qualquer coisa, não sei bem que é, se do fumo a entrar e a sair de mim, de manter as mãos ocupadas, se é a falta de desculpa para as pausas no trabalho, não sei, sinto falta...

No entanto também me sinto bem. Sinto-me limpa, mais liberta.
So de vez enquando é que bate assim uma duvida, parece que um daqueles diabinhos me diz algo ao ouvido e dá-me uma vontade de fumar... Mas passa, ai penso em todas as coisas más e passa.
Dificil é esquecer o mar de sensações, as boas. Porque as más a gente esquece-se depressa.
Acho que a 1ª semana correu bastante bem!

segunda-feira, agosto 20, 2007

Impressões do sul...

Iniciou-se com uma belíssima viagem de comboio rumo ao sul. È impressionante quanto mais nos afastamos de Lisboa mais vazio vai ficando o horizonte, chega a pontos em que o único sinal de civilização são aqueles carris pelos quais o comboio desliza.
Depois chega-se ao tão esperado Algarve.
Não me seduz muito nunca o fez. Há qualquer coisa, uma emergência no ar, um não sei o que de artificial nas paisagens, uma obrigação de se estar em férias, um nervosismo eminente, não sei, faz-me sempre sentir deslocada.
Depois todo aquele casario nascido como que cogumelos pelas encostas, cada uma mais pensada que a outra, mais imponente, mais completa e no entanto no seu conjunto não jogam umas com as outras, parece simplesmente que uma rabanada de vento passou e semeou aqui e ali sementes diferentes e nasceram resorts, moradias, apartamentos, albergues de 5ª misturados com hotéis de 1ª, uma mistura aflitiva.
Depois é tudo estupidamente caro, da mais simples garrafa de água, passando pelo comer e pelas necessidades mais simples do dia-a-dia. De repente parece que ao chegar-se a Albufeira se passou uma fronteira e estamos noutro pais, e neste país vivesse bem!
As praias são boas, mas por mais que me esforce não consigo achar piada em partilhar o meu dia de praia com uma multidão de estranhos que aproveitam a sombra do meu chapéu de tão próximo que estenderam as suas toalhas.
È demasiada tradução em inglês espalhada pelas ruas, demasiada vontade de agradar aos turistas querendo ser como eles, trazendo a casa deles, a comida deles, tudo deles para as praias de Portugal. Um inglês que passe as férias em Albufeira sentir-se-á completamente em casa. Mas não leva de Portugal nada que seja nosso, nem uma palavra e se não estiver para ai voltado nem um prato de comida tradicional, nada, nem a cerveja, que o que não falta em Albufeira são cafés de Ingleses feitos para ingleses.

Apenas uma única coisa me faz ir até lá abaixo, o parque de campismo de Albufeira é bastante bom e a família gosta de todos os anos dar lá um pequeno saltinho. Só vou mesmo por eles… Que isto de ir de férias para se vir de lá ainda mais cansado! E sem nada de novo…
P.S.No entanto não posso deixar de dizer que apanhei um fim-de-semana maravilhoso e que fiz dois dias de praia excelentes (mesmo com os senhores que chegaram depois de nós, a jogarem ás cartas debaixo da sombra da nossa sombrinha, que culpa tem os senhores do sol ter virado não é!)

sexta-feira, agosto 17, 2007

Albufeira

Quem não tem ferias, aproveita os dois dias de fim-de-semana... sabe a pouco, mas é bem melhor que nada!
E de bonus ainda faço a minha 1ª viagem de comboio até ao algarve!

quinta-feira, agosto 16, 2007

Porquê deixar para Setembro algo que posso começar já?!

Afinal porque deixar para Setembro aquilo que posso começar a fazer já?
Já teve inicio a "missão deixar de fumar".
E segundo os livros por esta altura :"os níveis de monóxido de carbono no organismo já baixaram e os de oxigénio já começaram a aumentar."
Sabe bem pensar nisso.
Mal sabe mesmo é beber café de manhã e não fumar o cigarrinho... vai demorar uns tempos até me esquecer dessa sensação.
Mas não é o fim do mundo garanto!

Manhattan


Isaac Davis: She's 17. I'm 42 and she's 17. I'm older than her father, can you believe that? I'm dating a girl, wherein, I can beat up her father
Tracy: Let's fool around, it'll take your mind off it.
Isaac Davis: Hey, how many times a night can you, how, how often can you make love in an evening?
Tracy: Well, a lot.
Isaac Davis: Yeah! I can tell, a lot. That's, well, a lot is my favorite number.

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[On her ex-husband]

Mary Wilke: I was tired of submerging my identity to a very brilliant, dominating man. He's a genius.
Isaac Davis: Oh really, he was a genius, Helen's a genius and Dennis is a genius. You know a lot of geniuses, y'know. You should meet some stupid people once in a while, y'know, you could learn something.
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Isaac Davis: It's an interesting group of people, your friends are.
Mary Wilke: I know.
Isaac Davis: Like the cast of a Fellini movie.

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Pequenas grandes histórias que se desenrolam num mundo a preto&branco.
Ruas movimentadas, pessoas complexas, vidas pouco normalizadas, relações esquisitas e desequilibradas, personagens quase esquizofrénicas na sua maneira de encarar o amor.
Tudo, em grandes trocas de palavras, em diálogos deliciosos, em que Woody Allen faz de si mesmo e não nos cansa, onde Meryl Streep dá o ar da sua graça e onde Diane Keaton é a mulher dos nossos tempos. Informada, culta, impertinente, desagradável, muito ocupada e emocionalmente perdida.
È o estranho mundo das relações entre as pessoas...



terça-feira, agosto 14, 2007

È desta!


Quando iniciei o blog, um dos primeiros posts foi sobre a minha vontade de deixar de fumar, ou melhor, sobre a hipotética vontade de deixar de fumar que nunca se concretiza.
Já passou quase um ano, e nada. Continuo a fumar como sempre. Mas a verdade é que cada vez esse facto me chateia mais.
Chateia-me o cheiro na roupa, no cabelo e em tudo o que seja objecto meu.
Chateia-me acordar de manha, a seguir a uma noite mais regada e sentir todo aquele mal-estar, aquela dificuldade em inspirar uma boa baforada de ar fresco, e principalmente o celebre sabor a “papeis de musica” na boca que tem o dom de se prolongar durante todo o dia, não importa quantas vezes se lava os dentes ou qual a quantidade de elixir que se gasta.
Chateia-me a notória perda de capacidade física, nada de grave por enquanto, sou jovem, mas chateia-me o cansaço ao fim das escadas, o coração acelerado após uma corrida e a pouca vontade que dá de me mexer quando penso nisso.
Chateia-me pensar que daqui a uns anos posso sofrer de várias doenças, e que daqui a uns anos posso não estar a pensar deixar de fumar porque me decidi, mas ter de tomar essa decisão porque é a única que me pode salvar.
Não vou iniciar nenhum discurso antitabagista fanático, nem vou falar das 4000 substâncias cancerígenas e por ai fora. Nem se conseguir deixar de fumar vou-me juntar ao clube da malta que recrimina quem fuma.
Comecei a fumar nem sei bem porque, mas sei que fumei estes anos todos porque gosto, porque me dá prazer, porque me ajuda a passar os tempos mortos, porque é uma óptima muleta para as conversas de café, porque sim.
Já nem faço contas ao dinheiro que se gasta, e nem a tantas coisas que não comprei porque gastei o dinheiro neste vício.
O que me preocupa é mesmo a minha saúde, e a sensação de que não estou a fazer o melhor para preserva-la.
Nos últimos tempos tenho recolhido o máximo de informação possível sobre o assunto, sobre os malefícios do tabaco, sobre quais os melhores métodos para deixar de fumar e coisas afins.
E pelo menos neste momento estou bastante entusiasmada.
Já fui falar com uma farmacêutica, já estou ciente do que existe no mercado ao meu dispor para me ajudar a controlar a ansiedade, já percebi que para alem do combate ao tabaco terei de fazer um outro combate ainda mais feroz que será a tendência a aumentar de peso.
Mas o plano já está delineado.
- Início de uma actividade física, ginásio, piscinas, caminhada, não interessa, desde que me mexa.
- Dieta controlada e rigorosa;
- Nada de substitutos de nicotina, apenas muitos chás naturais controladores de ansiedade;
- E muita força de vontade!

Estou motivada e informada, só falta mesmo marcar o dia, que será no inicio de Setembro, logo após o fim das festas e afins motivadas pelo mês de Agosto.

Este post é o primeiro passo para esta mentalização e para o reforço da minha vontade.
Estou a abrir a minha opção ao mundo, agora, é só não me deixar ficar mal a mim mesma, e iniciar a nova etapa na minha vida, a de ex-fumadora.

segunda-feira, agosto 13, 2007

Film Noir


O miminho de verão...

quinta-feira, agosto 09, 2007

"Clarissa Vaughn: When I'm with him I feel... Yes, I am living. And when I'm not with him... Yes, everything does seem sort of silly."

"The Hours"
Stephen Daldry

terça-feira, agosto 07, 2007

DEATH PROOF


Será que posso dizer que o filme tem algumas coisas tão más e que por isso é tão bom?
Fartei-me de saltar na cadeira, fartei-me de vibrar a cada “arrancada” do motor, fartei-me de rir com os pormenores.
Acho que mesmo que não soubesse quem era o realizador, atiraria o nome de Tarantino ao calhas e acertaria, porque está a marca dele em cada diálogo, em cada plano, em cada pequena coisa.
Este filme foi sem dúvida uma enorme descarga de adrenalina…

p.s: Gostei mesmo da banda sonora do filme, acho que mais indicada era impossivel!

Pequenos pormenores:

Uma das meninas no bar pede um gim tónico, Bombay Sapphire , pedido usual da malta para os lados de Portalegre no nobre estabelecimento que é o Príncipe Real;
Depois o senhor Stuntman Mike, lava o ferimento de bala com uma garrafa de Four Roses, muito apreciado por mim...

Onde o divertimento começa...

Stuntman Mike: Well, Pam... Which way you going, left or right?

Pam: Right!

Stuntman Mike: Oh, that's too bad...

Pam: Why?

Stuntman Mike: Because it was a fifty fifty shot on wheter you'd be going left or right. You see we're both going left. You could have just as easily been going left, too. And if that was the case... It would have been a while before you started getting scared. But since you're going the other way, I'm afraid you're gonna have to start getting scared... immediately!

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Stuntman Mike: [as he drives] Hey, Pam, remember when I said this car was death proof? Well, that wasn't a lie. This car is 100% death proof. Only to get the benefit of it, honey, you REALLY need to be sitting in my seat. [slams his boot to the brake and sends Pam flying face-first into the dashboard]

segunda-feira, agosto 06, 2007

O Herói

(Reflexão que estava perdida numa das pastas do computador. È o resultado de um longo Inverno a ver séries pela noite dentro e de algumas aulas do Curso de Escrita Criativa que versavam sobre isto mesmo, "O Herói".)
Hoje em dia o “Herói”, ou o “protagonista” deixou de ser o melhor de todos, o mais justo de todos, o mais eticamente correcto de todos, hoje o herói é por vezes alguém que nos chateia, alguém com quem nós não gostaríamos de conviver, mas no entanto a sua história apresenta-se como tocante aos nossos corações, os seus actos como aceitáveis aos nossos olhos, enfim, o herói contemporâneo não é mais um ser divinizado, nem escolhido, nem superior. O herói de hoje é simplesmente uma “pessoa normal exposta sob situações de grande pressão.”
Isso explicará talvez certas atitudes das “nossas” personagens principais. Num destes fins-de-semana estava a ver o CSI Miami, a história vinha entrelaçada de outros episódios e eis que, o sempre enigmático Horatio Cane, acaba por matar um assassino que já perseguia há algum tempo. Este havia lhe matado a mulher e acabara de matar o irmão de Cane. O assassino havia sido libertado pelas autoridades norte-americanas em troca de informações, estavam agora no Brasil.
No entanto, a personagem de Cane personifica a lei, a justiça. E não é suposto encontrarmos nela tal instinto de vingança, fria, calculista, brutal. Mas para nós espectadores esta é uma atitude aceitável, o nosso protagonista é humano, sente, e reage como um humano e todos os instintos que lhe são adjacentes.
Fiquei então apreensiva, apesar de compreensível não é moralmente correcto. No entanto esta e outras personagens continuam a empolgar-me episódio após episódio.
Jack Bauer da Série 24, o completo herói dos pés à cabeça, sempre a lutar no fio da navalha, sempre a escapar por um triz, sempre a salvar o mundo no ultimo minuto. Somos por isso seus fãs incondicionais, mas a verdade é que Bauer deixa sempre um rasto de destruição, e já o vi tomar as decisões mais difíceis, mais humanamente impossíveis. Jack Bauer já matou uns quantos terroristas sem razão. Mas a maior das falhas talvez tenha sido a morte de Nina Myers, em Self-defence? Não pura vingança.
No entanto não consigo deixar de simpatizar com a personagem.
No Prison-Break quem não simpatiza com os irmãos? Mesmo avaliando os estragos que o menino Michael Scofield já provocou com o seu plano mirabolante? Afinal os fins justificam os meios?
A minha reflexão de fim-de-semana passou por estas e outras questões relacionadas com os protagonistas das séries que vejo em doses industriais, ou dos filmes que já vi.
A mim parece-me que o “Herói” está a mudar de cara, talvez ele seja hoje um reflexo mais claro, mais lúcido dos defeitos e das falhas dos seres humanos.
No entanto, o que me parece mais impressionante é a facilidade com que encaramos os seus actos, será porque é apenas ficção, ou temos todos “brandos costumes”?
Afinal onde fica a ténue linha que divide o bem do mal?
E até que ponto as acções serão justificáveis?
Afinal os heróis de hoje são apenas “pessoas normais expostas sob situações de grande pressão.”
Ou seja qualquer um de nós poderá vir a ser um herói.
Pelo menos, num qualquer suporte de vídeo.

A reflexão que se impõe, parece-me, é que sendo o cinema ou a televisão de algum modo o “espelho” da nossa realidade, uma produção artística criada à imagem do Homem e das suas sociedades, ela reflecte hoje melhor aquilo que somos?
Reflectiu durante muito tempo apenas a parte idealizada, ou simplesmente a sociedade evoluiu até aqui e isso levou também a esta evolução, a esta nova imagem de Herói?

quinta-feira, agosto 02, 2007

Um Même

(desafio feito por M em 27 de Junho, mas que só agora é que eu vi... Por vezes parece mesmo que não vivo neste mundo:)
Acredito nas coisas simples. Simples de fazer, simples de sentir, simples de viver.
Acredito num banho gelado de mar seguido pelo aconchego quente da toalha, acredito no prazer de um abraço na solidão da noite, numa palavra boa nas horas más.

Acredito numa hora de descanso depois de um dia de trabalho, num sítio bonito de vistas largas, num livro pousado sobre o colo, num copo de café quente e reconfortante ao lado.

Acredito numa mesa rodeada de gente, entre minis e tremoços, entre gargalhadas e coisas sérias, acredito que existem amigos para a vida.

Acredito em coisas boas, penso em coisas boas, sinto coisas boas. Acredito que coisas boas podem surgir dai.

Acredito no amor, em duas almas que se juntam, em dois corpos que se abraçam, e em duas mentes que se confrontam na tentativa de chegar a um sítio, porque o amor não é pacífico, nem calmo, nem linear. È sempre uma convulsão, é um mundo em constante mudança, é uma “criança”em constante evolução.

Acredito nos Homens, acredito que ainda vamos a tempo de mudar.
Acredito que há Homens maus, mas acredito muito mais na existência de Homens bons.
Acredito na Humanidade da nossa espécie.

E acredito que a minha gata Mia sabe quem sou, acredito que sente saudades minhas, acredito que acreditar nestas pequenas coisas me fazem sentir por breves momentos mais feliz…


#45.3 - Andrew Bird - Spare-Oh
lablogotheque
Não resisti...
Este video do Mr. Andrew Bird a passear cantando pelas ruas de Paris é absolutamente delicioso...

Start a war


#40.3 - The National - Start a war
lablogotheque

Dia 5 de Agosto festival Sudoeste

Curso de Escrita Criativa

Acabou ontem o ciclo de seis meses que durou este curso.
Muitas vezes fui sem grande vontade, custa sair do trabalho e ainda ir ter aulas. Custa despender do nosso tempo, da nossa vontade, das nossas horas de sono, mas no final valeu a pena.
Valeu a pena todas as horas em que me arrastei, primeiro até ao cais do Sodré, e depois até ao Miradouro da Graça.
Valeu a pena todas as trocas de experiências, todas as frases trocadas, todas as referências, toda a exposição do nosso trabalho, toda a convivência que existiu, principalmente entre os cinco resistentes até ao final desta jornada.
Passaram alguns professores pela nossa sala, várias temáticas, várias técnicas e todos estes elementos de um modo ou de outro contribuíram para que cada dia fosse uma descoberta.
De certo que não sairei deste curso a ser uma brilhante escritora, seja ela qual for a área, provavelmente nunca o serei, nem aspiro a isso. Mas saí deste curso a compreender melhor as coisas que leio, a ser mais interessada por mundos que desconhecia, a ter mais referências de livros, de filmes e de uma série de outras coisas, que sozinha não teria chegado lá.

Agora fiquei um bocadinho desamparada, ontem sentei-me no degrau da porta ao lado da academia, como sempre fiz, com o copo de café ao lado e fiquei a contemplar o rio lá em baixo ao fim da rua. Deu-me uma nostalgia, uma pena de ter chegado ao fim…

Vou ter saudades da Graça, vou ter saudades das aulas, vou ter saudades dos meus colegas e das grandes conversas por e-mail que temos tido ultimamente.
Vou simplesmente ter saudades.
Hoje á noite faremos o jantar de despedida, na Graça a portas meias com a escola!
E fecha-se a etapa*

1 de Agosto de 2007

Já passaram uns quanto dias “uns” este ano.
O dia um de Janeiro, no rescaldo da grande festa de passagem de ano em Arronches. O dia um de Fevereiro, menos bom, com o frio de Inverno no auge, e o meu coração gelado também. Dia um de Março, pronta para se iniciar a nova etapa que foi o curso de escrita criativa. O dia um de Abril, dia das mentiras com a Primavera já iniciada e um cheirinho a flores novas pelas ruas.
O dia um de Maio, que veio no meio da excitação da viagem de barco pelo mediterrâneo, o dia um de Junho, com o Verão á porta e muita chuva pelo meio.
Depois o dia 1 de Julho, ansiosa pelo Festival de Sines, pelas tardes de praia que acabaram por não vir devido ao tempo que não chegou e ao “mau tempo” que nos acompanhou todo o mês.
Oito dias “uns” já leva este ano de 2007.
O tempo passa depressa quando olhamos para trás desta maneira, quando colocamos por ordem os dias, quando lhe damos tempos e durações, parece que foi tudo tão fácil, que não custou nada.
O tempo simplesmente passou.
Este dia um de Agosto está agradável. È um daqueles dias de Verão lindos para passear. Nuvens baças no céu a ameaçar uma chuvada de Verão que deixam passar apenas os raios de sol suficientes para que não esteja frio. Aquela brisa suave e fresca que convida a longas caminhadas, e como é início de Agosto parece que qualquer coisa se quebrou na rotina diária, mesmo nós, aqueles que não estamos de férias paremos ter abrandado o passo… Porque é natural e intrínseco, o mês de Agosto é de férias, de praia, de família, de regressos e noites longas pelas aldeias perdidas de Portugal.
Este mês nasce também sob o signo daquele “Sense of possibility”. Mudanças se aproximam.
Pelo menos á minha volta muita gente se prepara para dar grandes passos, fazer mudanças e iniciar novas etapas.
Para mim este mês inicia-se com esta grande esperança de que o próximo dia 1 seja o ultimo que passe por estas bandas. Estou a fazer “figas”, promessas, preces, tudo o que seja possível.
Que venham mudanças também para mim… Mudanças boas.

*Texto escrito ontem mas não havia internet por estes lados...

SINES II

Ainda me doem as perninhas de tanto subir e descer encostas!
Mas foi bom, muito bom. Não deu para descansar grande coisa, é impossível dormir numa tenda depois das nove da manha, e era-nos impossível ir dormir antes das cinco, por isso a media de sono foi fraca, mas a media da diversão compensou.
O tempo deu também para uns mergulhos gelados, tanto na Praia de São Torpes, como na baia de Sines, e quando digo mergulhos gelados é mesmo literal, geladíssimos… E mesmo por isso muito bons, revigorantes e saudáveis!
As noites, já estavam escritas. Castelo, concertos, o café ao lado do castelo, e a mítica passadeira na avenida da praia, ponto de encontro e a embaixada de Portalegre.
Deu para dançar, pular, saltar, e para mim, que sou uma desajeitada deu também para as quedas que me deixaram algumas “mazelas de guerra”, não tenho jeito nenhum, o que me vale é mesmo esta grande estrelinha que me guarda e que me ampara nas quedas!
Tivemos sorte também com o fim-de-semana, que foi talvez o primeiro fim-de-semana de Verão a sério que houve este ano.
O Festival correu da melhor maneira, bom ambiente, sem stresses nem confusões, com muita gente diferente, com estilos diferentes e vida distintas, mas todos com muita vontade de ali estar.
Sines está de parabéns, pela forma como nos recebe, pela maneira como se prepara e pelos dias bem passados que nos proporciona.
Só aquela história de terem feito uma porta na Muralha do castelo á pressão é que não lhes ficou muito bem, mas que a mesma deu muito jeito, lá isso deu!

Esperamos que para o ano haja mais…
Mas que não haja mais gente, Sines e o Festival não tem capacidade para mais…

segunda-feira, julho 30, 2007

Sines I

Tantas coisas boas para dizer do fim-de-semana em Sines...
Mas hoje não sai nada...
Estou em plena recuperação de varias noites mal dormidas, de muitos quilometros a pé entre o parque de campismo e a praia, da viagem, dos copos, das gargalhadas, que canseira...
Curtir que nem uma maluca cansa...

quinta-feira, julho 26, 2007

Sines



Não é a minha praia de eleição, mas vai fazer as minhas delicias nos próximos três dias...
Estou de partida hoje para o Festival de Musicas do Mundo de Sines e mal posso esperar para por o pé na areia, para ouvir boa musica, e para descontrair...
È isso, a palavra de ordem é mesmo essa, descontrair!

quarta-feira, julho 25, 2007

"O amor em tempos de cólera" II

Talvez a história de amor mais bonita que li. Mais pura, mais terna.
Uma consciência tão grande de que há sentimentos que podem perdurar toda uma vida e que nem a velhice, nem o corpo descaído, nem os tédios e os terrores do tempo a passar podem mudar aquilo que de mais verdadeiro existe dentro de uma pessoa.
Pensarei eu a vida da mesma forma quando chegar aos oitenta anos? Poderei eu aos oitenta anos viver a plenitude dos sentimentos que aos dezoito são afoitos, passageiros e incertos? Poderemos todos nós chegar ao fim da vida e ainda ter tempo para corrigir os enormes erros de julgamento que fomos fazendo e que nos foram conduzindo para um direcção ou outra?
È inesperado. Nunca saberemos se vamos lá chegar, mas ao fechar este livro, ao ler a ultima frase, fechei os olhos e fiquei por estantes a apreciar a bela sensação de esperança que me deixou.
A esperança de que estamos sempre a tempo de começar a viver…
Dá menos medo ver o tempo a passar assim, se acreditarmos que há sempre tempo para recuperar as oportunidades perdidas…
Dá menos medo ver que afinal existe, esse sentimento existe e pode durar uma vida…

segunda-feira, julho 23, 2007

Gilda

Obregon: You two kids love each other pretty terribly, don't you?

Johnny Farrell: I hate her!

Obregon: That's what I mean. It's the most curious love-hate pattern I've ever had the privilege of witnessing.

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Gilda: Got a light?

Uncle Pio: Yes, Mrs. Mundson. It is so crowded here and yet so lonely.

Gilda: How did you know?

Uncle Pio: You smoke too much. I noticed only frustrated people smoke too much and only the lonely people are frustrated

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Gilda: You do hate me, don't you, Johnny?

Johnny Farrell: I don't think you have any idea of how much.

Gilda: Hate is a very exciting emotion. Haven't you noticed? Very exciting. I hate you too, Johnny. I hate you so much I think I'm going to die from it. Darling... [they kiss passionately]

Gilda: I think I'm going to die from it.

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Era já tarde e eu oscilava entre um sono faraónico e uma imensa vontade de acabar de ver o filme, e resisti heroicamente pela noite dentro e dei-me por muito feliz de ter prescindido de mais uma hora de sono para poder ver esta obra prima que viajou até mim desde o muito longínquo ano de 1946.

O preto e branco cai-lhe bem, Rita Hayworth está divinal na sua personagem debochada, desbocada, descarada, tudo o que caía mal para a época. Mais divinal ainda na sequência que se segue, em que despe a longa luva negra no meio de uma actuação tresloucada, não consegue despir mais porque é intempestivamente impedida por Johnny o seu amor/ódio, a sua vitima e ao mesmo tempo o seu carrasco.


Um argumento simples de um triangulo de amor/ ódio, num ambiente de luxúria dos casinos clandestinos de Buenos Aires.
Este ódio é tão grande, tão obsessivo que só poderia ser o resultado de um grande amor e só poderia resultar num grande amor. E acabar desta maneira deliciosa.

Johnny Farrell: I want to go with you, Gilda. Please take me. I know I did everything wrong...

Gilda: [sobbing] Isn't it wonderful? Nobody has to apologize, because we were both stinkers, weren't we? Isn't it wonderful?

Johnny Farrell: Wonderful.

sexta-feira, julho 20, 2007

SandBox



Novo album velho?
Deliciosa descoberta no fundo do baú. Tem muitas coisas diferentes, diferentes de Morphine, mas tem em toda a sua plenitude Mark Sandman, do primeiro ao ultimo acorde.
Estou a descobri-lo como se tivesse sido lançado agora, como se ainda cheirasse a novo, com o deleite de uma criança perante uma enorme novidade...
Sabe bem ter um novo album já velho para descobrir*

Mini Férias para a semana!

Três dias que espero compensem o Verão todo aqui fechada...
Campismo, boas companhias, praia e muita musica!

quinta-feira, julho 19, 2007

"Drive In"

Hoje é dia de “Drive In” no Forúm Montijo (mais uma dessas catedrais de consumo erguidas nos ultimos anos), porque é quinta-feira, porque não tenho aula e decididamente necessito de ar.
Por isso vou ao cinema e ainda apanho com a fresca da noite.
Very American way of live!



* Agora só espero conseguir sintonizar como deve ser a estação de rádio que irá transmitir o som do filme, modernices…

quinta-feira, julho 12, 2007

Fred Astaire & Rita Hayworth

Isto sim é dançar...

*A musical act from the 1941 movie "You'll Never Get Rich"

quarta-feira, julho 11, 2007

"O amor em tempos de cólera"

“Começou com a simplicidade rotineira. Nos tempos em que ainda tomava banho sem ajuda, o Doutor Urbino tinha voltado ao quarto e começou a vestir-se sem acender a luz. Ela estava, como sempre, a essa hora, no seu tépido estado fetal, de olhos fechados, a respiração ténue, e esse braço de dança sagrada sobre a cabeça. Mas estava, como sempre, meio a dormir, e ele sabia-o. Ao fim de um demorado rumor de roçar de linhos engomados na penumbra, o Doutor Urbino disse para consigo:
- Já há uma semana que tomo banho sem sabonete.
Então ela acordou de vez, lembrou-se, ficou furiosa contra o mundo, porque, de facto, se tinha esquecido de repor o sabonete na banheira.
...
Na verdade, não tinha passado uma semana, como ele dizia, para lhe agravar a culpa, mas sim três dias imperdoáveis, e a fúria de ter sido apanhada em falta acabou por faze-la sair dos eixos. Como sempre, defendeu-se atacando.
...
Cada vez, que nos três meses que se seguiram, tentaram resolver a discórdia só conseguiram atiça-la. Ele não estava disposto a voltar enquanto ela não admitisse que não havia sabonete na casa de banho, e ela não estava disposta a recebe-lo enquanto ele não reconhecesse que tinha mentido propositadamente para a atormentar.

Quando recordavam este episodio, já no remanso da velhice, nem ele nem ela podiam crer na verdade assombrosa de que aquela discussão fora a mais grave de meio século de vida em comum, e a única que lhes deu aos dois vontade de desistir e começar uma vida diferente.”


“OAmor em tempos de cólera”
Gabriel Garcia Marquez

È engraçado como uma pequena historieta dentro um magnifico romance como este nos pode chamar tanto a atenção. Porque é tão simples, porque qualquer um de nós em algum momento da vida já se chateou com outra pessoa por causa de pequenas coisinhas da vida doméstica. Porque na simplicidade das palavras, nas cores claras com que nos é pintado este quadro se encontram expressões tão humanas.
O livro ainda nem vai a meio, mas a vontade de falar sobre ele já é muita.
Ando a repetir-me, mas quando agarro num livro de Gabriel Garcia Marquez dá-me esta vontade enorme de ler os que ainda não li, de reler aqueles que já li, uma vontade imensa de que a sua obra nunca acabe.
Li também esta semana na imprensa que este livro está em vias de ser um filme.
Poderá um filme conter todas as imagens, todos os cheiros evocados, todas as sensações que um livro como este nos transmite?
Estou curiosa...

segunda-feira, julho 09, 2007

"Sense of possibility"

"Clarissa Vaughn: I remember one morning getting up at dawn, there was such a sense of possibility. You know, that feeling? And I remember thinking to myself: So, this is the beginning of happiness. This is where it starts. And of course there will always be more. It never occurred to me it wasn't the beginning. It was happiness. It was the moment. Right then."
"As Horas" de Stephen Daldry

Há dias em que me sinto assim, cheia deste “sense of possibility”, parece que o mundo a mim me pertence, que a vida será exactamente daquela maneira que eu imaginei. Nesses dias o tempo deixa de ser uma grande frustração, e passa a ser o aliado, porque vemos com bons olhos o tempo que já passou e as lembranças que contém. Porque inspiramos uma lufada de ar fresco e olhamos o tempo que há-de vir com esperança, com aquela quase certeza de que tudo irá correr bem…
Será o início de felicidade?
Ou será que é mesmo ai que se é feliz e nada mais há para vir?
Há dias em que me sinto assim…”That feeling…”

sexta-feira, julho 06, 2007

"Crónica de uma morte anunciada"



“No dia em que o iam matar, Santiago Nasar levantou-se às 5.30 da manhã para esperar o barco em que chegava o bispo.”

“ – Santiago, meu filho – gritou - que tens tu?
Santiago reconheceu-a.
“Mataram-me, menina Wene – disse ele.
Tropeçou no último degrau, mas levantou-se logo.
«Teve mesmo o cuidado de sacudir com a mão a terra que tinha nas tripas», disse-me minha tia Wene. Depois entrou em casa pela porta de trás, que estava aberta desde as seis, e desabou de bruços na cozinha.”


Desde o primeiro livro que me sinto completamente apaixonada por Gabriel Garcia Marquez, por aquele mundo quase irreal que ele cria, pela maneira “oral” como nos conta as histórias. Dá-me sempre a sensação de que se fechar os olhos estarei num daqueles quintais que descreve sentada numa cadeira a ouvir um ancião a contar histórias dos antigos da aldeia, é como se ele tivesse ali a sussurrar aquelas histórias cheias de vida e de morte, de fantástico, de coisas que no fundo nunca se percebe se poderiam ter mesmo acontecido.
Gosto deste lado humano dele, ele conta sempre histórias de pessoas, e essas pessoas são sempre uma história por si mesmas.
Depois o calor dos trópicos emana dos seus livros, há um exotismo subjacente a cada nome, a cada palavra.
Há uma áurea só sua.

Esta “Crónica de uma morte anunciada”, é só mais uma história simples, cheia de pessoas, de opiniões, de visões de um facto consumado que nos é dado na primeira frase. Santiago Nasar morre nesse dia, agora vamos lá ver como foi. Agora vamos ver como este único facto mudou a vida de tanta gente, vamos ver como tanta gente pode ser cúmplice de uma morte, que foi anunciada e que ninguém em consciência conseguiu impedir.
È delicioso.

quarta-feira, julho 04, 2007

Scoop


Director: Woody Allen
Writer (WGA): Woody Allen
Release Date: 5 October 2006 (Portugal)
Genre: Comedy / Fantasy / Mystery more

Sondra Pransky: This guy is a serial killer! He could just kill at any moment!

Sid Waterman: Yeah, I heard that part. That's when I knew I was gonna make other plans.
Joe Strombel: This'll be the biggest story to hit London since Jack the Ripper.
Sondra Pransky: Jack the Ripper. Is that capitalized?
Sondra Pransky: What are you going to tell the police? "The guy owns a deck of tarot cards...” that's not a crime!
Sondra Pransky: I'm a would-be investigative reporter who has fallen in love with the object of her investigation.
Sid Waterman: We need to put our heads together.
Sondra Pransky: If we put OUR heads together, it would make a hollow sound.
Sid Waterman: You're a pretty girl. You know, I think you could probably get this guy to get interested in you.
Sondra Pransky: Oh, you're silly...
Sid Waterman: Yeah, particularly if he's got a twisted mind.
Sid Waterman: Not everything in this world is sinister... just practically everything.
Sid Waterman: You're alone up there with a very, very dangerous man! That's two "very's"!
Sondra Pransky: I wouldn't be surprised if he asked me to marry him someday.
Sid Waterman: You come from an orthodox family, would they accept a serial killer?
Sondra Pransky: Why would Peter kill a prostitute?
Sid Waterman: Because it looks bad on his resume!
Sid Waterman: I don't know what you've been smoking, but don't try to bring it through customs.

Sondra Pransky: Why don't you think about this as adding some excitement to your life?
Sid Waterman: Sweeheart, excitement in my life is dinner without heartburn after it.

Porquê tantas transcrições de diálogos? Porque são simplesmente deliciosos, rápidos e inteligentes. Acho mesmo que este “Scoop” vale por isso mesmo, pela rapidez com que as personagens pensam e falam, e inventam esta teoria da conspiração que começa com a súbita materialização do espírito do recém-falecido Joe Strombel (dentro de uma caixa de magia onde supostamente alguém se desmaterializa!) um repórter de investigação que nem depois de morto, e já a caminho da eternidade dentro da barca da morte, desiste deste “Last Big Scoop”.
Woody Allen é simplesmente hilariante, desajeitado, trapalhão mas “gracioso”, imagino que ele seja assim no seu dia-a-dia.
Sondra Pransky é uma jovem Americana aspirante a repórter que está em Londres. Inicia esta hilariante investigação após ser informada pelo espírito que que Peter Lyman, um jovem aristocrata, estaria envolvido no caso do assassino do tarot. Mas Sondra é demasiado inocente, ou demasiado volúvel, para conseguir distinguir entre a investigação e a sua vida pessoal e acaba por se envolver com o suspeito.
Tudo isto num tom surrealista, entre espíritos, barcas da morte e truques de cartas a história vai sendo contada num tom de comédia pelas ruas de Londres, em cenários crus e planos simples.
Um Woody Allen bem diferente do “Another Woman” que vi no outro dia, ainda assim um belo filme para encerrar o dia.



terça-feira, julho 03, 2007

A Dália Negra

Director:Brian De Palma
Writers (WGA):Josh Friedman (screenplay)
James Ellroy (novel)
Release Date:21 September 2006 (Portugal)


Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: Nothing stays buried forever. Nothing.
Madeleine Linscott: Elizabeth and I made love once. I just did it to see what it would be like with someone who looked like me.
The Coroner: The victim has been cut in half, all the organs removed, blood drained from the body, and the mouth sliced ear to ear.
Madeleine Linscott: [to Bucky] I think you'd rather fuck me than kill me. But you don't have the guts to do either.
Madeleine Linscott: Get the picture?
Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: Technicolor.
Russ Millard: Hollywood will fuck you when no-one else will.
Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: I don't get modern art.
Madeleine Linscott: I doubt modern art gets you, either.


Senti vontade de ver este filme assim que estreou nos cinemas, e ainda dei uns prolongados olhares para a capa do livro de James Ellroy, mas o tempo passa e distraímo-nos com outras coisas.
O filme começou por ser surpreendente desde o início, esperava que fosse muito mais centrado no caso Dália Negra, mas no fim de contas este é apenas o pretexto para ser contada a história de Mrs. Ice & Mrs. Fire e o seu elo de ligação Kay Lake.
Passamos boa parte do filme a vê-los na sua vida quotidiana, a sua ascensão enquanto polícias, a sua vida a três quase onirica e pura, sem haver de facto uma ligação sexual explicita entre nenhum dos três lados do triangulo, mas no triangulo há sempre um elo mais fraco, e mais tarde esse elo irá ceder.
A Dália Negra surge um pouco mais à frente como pretexto à exploração das obsessões, de como a ânsia de poder ou de reconhecimento podem de repente desencadear comportamentos excessivos, descontrolados, fatais…
Ficou um gostinho a pouco, merecia mais tempo de antena a Dália Negra magneticamente representada por Mia Kirshner (que podemos ver na série L Word). O seu ar indefeso e assustado e ao mesmo tempo terrivelmente sexual incorporaram perfeitamente Elizabeth Short.
Surpreendeu também Hilary Swank na sua pérfida menina rica Madeleine Linscott, carregada de erotismo e maldade, sempre entre um mundo e outro onde a linha que divide o bem do mal é muito ténue.
Gostei dos diálogos, da fotografia, da banda sonora e achei a maior parte dos cenários deliciosos.
Pergunto-me se se vivia assim em 1947 em Hollywood?!
Parece demasiado à frente no seu tempo… No entanto o glamour da época está lá todo, a negro como se quer num filme Noir.

segunda-feira, julho 02, 2007

Simples...


“O Fundo das Nações Unidas para a População prevê que já no próximo ano mais de metade da população mundial esteja a viver nos grandes centros urbanos.”

Sinceramente não quero fazer parte desta estatística, nem deste trânsito arrepiante, deste stress constante, desta sensação de perda de tempo, porque o tempo aqui passa a correr e são horas rápidas, vazias que se poderiam preencher de tantas maneiras…Este fim-de-semana fiz uma viagem linda, atravessei todo o Alentejo até Beja, zona que será talvez o Alentejo na sua versão mais genuína, onde as pessoas não tem qualquer tipo de constrangimento em mostrar a sua acentuada pronuncia e onde o gerúndio se usa só porque sim, porque há tempo, há tempo até para se escolher as palavras para falar. Por esta altura do ano encontrei um Alentejo pintalgado de campos de girassóis, de campos vastos de trigo e matas ainda verdejantes. Passei por várias terrinhas simpáticas de casas baixas brancas e de faixa azul onde as pessoas se sentam á porta a ver passar os carros e a aproveitar os últimos raios de sol do fim de tarde, enquanto as crianças correm descalças ou andam de bicicleta no terreiro em frente a casa, sem pressas, sem medos. Simples.

Depois ontem estive em Grândola, no nosso monte perdido no meio de eucaliptos e pinheiros, onde ao fim da tarde cheira a horta acabada de regar e a gasóleo dos motores de tirar agua, onde no pico do verão às três da tarde parece que o tempo parou e onde conseguimos ver as ondas de calor que pairam sobre a areia que ferve.
Descalcei-me. Adoro andar descalça no monte, sujar os pés na areia sentir as ervas, andar com cuidado evitando as pedrinhas e a carumba dos pinheiros.
Fui ver as abóboras que crescem já no meio das folhas grandes que se espalham por debaixo das oliveiras, fui cuscar o ninho dos pombos que tem um novo residente ainda com penas acastanhadas e um ar amedrontado, fui espreitar debaixo das laranjeiras à procura da gata Mia e lá estava ela, esperta, ligeira e empoeirada, feliz. Saltitante e cheia de vontade de levar miminhos e festas.
Assim passei a tarde, uma tarde cheia de sensações, de coisas tão simples sempre com a companhia boa do colinho da minha mãe.
Simples.

Hoje estou aqui. Sinto uma sensação se sufoco enorme, como se no meio desta enorme selva urbana não houvesse espaço para eu respirar.

Pensei que poderia habituar-me a uma vida urbana e cosmopolita, que talvez com o passar do tempo as coisas fossem ficando mais suportáveis. Mas o tempo a passar só acentua todas as coisas que eu detesto na cidade e faz-me sentir ainda mais saudades de todas as coisas que eu adoro na vivência que se tem numa terra pequena e simples.

Talvez seja essa a razão, porque lá as coisas são simples, porque no fundo é só o que quero, que a minha vida seja simples de viver, simples de apreciar, simples de sentir.
Simples e feliz…

quinta-feira, junho 28, 2007

Another Woman

Director: Woody Allen


Writer: Woody Allen



Release Date:18 November 1988 (USA)



Genre: Drama



Plot Outline: Facing a mid-life crisis, a woman rents an apartment next to a psychiatrist's office to write a new book, only to become drawn to the plight of a pregnant woman seeking that doctor's help.




Marion: I wondered if a memory is something you have or something you've lost.

Ken: I accept your condemnation.
Paul: Do you remember some years ago when I showed you something I'd written, do you remember what you said?
Marion: No, I don't remember. I was probably just trying to be truthful.

Paul: Yes, I'm sure. You said, "This is overblown, it's too emotional, it's maudlin. Your dreams may be meaningful to you, but to the objective observer, it's just so embarrassing."

Marion: I said that?

Paul: Exactly your words. So I tried not to embarrass you any more.

Marion: [reciting the poet Rilke] For here there is no place that will not see you... You must change your life


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Será assim que um dia acordaremos e perceberemos que passamos a maior parte das nossas vidas a racionalizar, a conter, a menosprezar as nossas verdadeiras emoções?
A querer de algum modo ter o controlo absoluto sobre nós e sobre o mundo e no meio desse controlo obstinado perdemos a melhor parte, o inesperado, o surpreendente, o genuíno…
“Another Woman” é sem dúvida um filme surpreendente, pelas opções narrativas que contém, por este argumento simples que gira à volta de uma personagem tão complexa, por ter o dom de nos deixar assim, a reavaliar coisas, a medir situações a pensar que talvez um dia poderemos ser nós a compreender que apesar de todos os nosso esforços temos uma vida vazia…
“For here there is no place that will not see you... You must change your life” Rilke


segunda-feira, junho 25, 2007


Este festival merece um apontamento!
Duvido que haja local mais bonito no país para se assistir a um concerto, por detrás do palco apresenta-se Marvão como um raio de luz perdido na noite, uma presença forte e inquestionável da obra conjunta da natureza e do Homem.

Depois boa música, e bom ambiente. Só é pena que tenha havido uma fraca afluência de publico, e que as noites tenham sido mais de Inverno do que de Verão.

Esperemos que para o ano haja mais.

Rock Fest Marvão III

THE POPPERS -

Rock Fest Marvão II

Dapunksportif

Rock Fest Marvão - I

Bunnyranch - Little Bird Get In Shape

The National - Mistaken For Strangers

Banda a descobrir nos próximos tempos...

quinta-feira, junho 21, 2007

Fim de tarde...

Sabe bem de vez enquando baldarmo-nos aos compromissos e aproveitar um fim de tarde a meio da semana como se fosse já fim-de-semana…
Trocar a cadeira da sala de aula por uma numa esplanada, por um pires de caracóis e uma cerveja.
Sabe simplesmente bem de vez enquando esquecermo-nos dos compromissos e fugir à rotina…Nem que seja por breves momentos a nossa vida parece mais leve, mais simples, mais gostosa.

quinta-feira, junho 14, 2007

1º Encontro de Boas


Há um ano atrás andávamos todas ainda inocentemente a sonhar o que poderia ser as nossas vidas…
As ilusões do costume, as promessas do costume e depois os mesmos desencontros.
Dizemos sempre que o tempo não nos vai separar, que nos vamos encontrar sempre a cada esquina, que os jantares serão mais que muitos… e depois o tempo passa, os telefonemas escasseiam, o presente de uma forma ou de outra ocupa-nos e faz-nos adiar aquele passado para um futuro mais à frente.
Quase um ano…
Incrível como nos levou tanto tempo a conseguir juntar as agendas, a marcar uma data e a reagir com entusiasmo à esperada jantarada, aos momentos de pijama e risadas antes de dormir, às pequenas confidencias que podemos fazer umas às outras…
Quase um ano a decidir ser, nem que seja por um fim-de-semana, nós as BOAS novamente.

È com um prazer meio triste meio feliz que vou a este encontro de velhas amigas da faculdade, se por um lado é extremamente gratificante ter passado todas as etapas e estarmos nesta agora, por outro lado este primeiro encontro confirma que tudo o resto já passou.

Só nos resta congelarmos estes momentos!
Eles permitem-nos ser criança mais um pouco…

terça-feira, junho 12, 2007

Santo Antonio!


Não gosto particularmente de sardinha assada, nem de multidões, nem de música de arraial portuguesa e afins, sobre as marchas prefiro não me prenunciar.
São puras expressões “alfacinhas”, pura cultura popular portuguesa.
Acho que o que mais gosto dos santos são mesmos os manjericos.
Mas este ano vou ver de perto, como se passa a noite de Santo António por vielas a abarrotar de gente, cheias de fumo de fogareiro e cheiro a sardinhas que se entranha na roupa…
Vou tentar por hoje ser uma verdadeira Portuguesa!
P.S. Começaram neste preciso momento a mandar os foguetes!
Outra manifestação que eu não entendo!

sexta-feira, junho 08, 2007

Sinto-me cansada, não é no meu corpo… é em mim…
Sinto-me como Sísifo, carregando inutilmente qualquer coisa que volta sempre ao mesmo lugar…
Queria que passasse…


Não se conseguia satisfazer…
Pensava sempre no mundo de coisas que ainda não conhecia, sentia aquela sensação de perda em relação a tudo o que já passara, aquela estranha certeza de que algo não volta mais. Não imaginava assim a vida, como pedaços estanques de tempo, etapas, fases, ocasiões. Tudo devia ser um todo, e como num DVD deveríamos poder fazer zapping entre as cenas, devíamos ter acesso aos extras, devíamos poder controlar tudo, saber de tudo, devíamos poder ir construindo o making of da nossa vida, e vê-la de vez em quando como se de um trailer se tratasse.
Mas não, a consciência do tempo a passar apoderara-se dela, tempo estanques como barreiras, dias, semanas, meses, anos, tudo bem delimitado e marcado por um calendário cruel, imparável.
Ia guardando meticulosamente fotografias, vídeos, bilhetes, cartões tudo o que lhe permitisse montar às peças um passado e construir com referências um futuro. Como se de um lego se tratasse.
Mas não se satisfazia.
O tempo a passar parecia uma maldição, nunca chegava para apreciar as coisas boas. Era sempre demasiado longo para as coisas más.
Maria sentia-se assim, perdida.
Viajava só, por estradas desconhecidas, levava a janela aberta por onde entrava uma brisa fresca de fim de tarde, o sol punha-se atrás de si em cores múltiplas de beleza.
“Amanha será um dia quente!” é o que nos diz o céu.
Mas amanhã o que será?
Não dá para adiantar a cena!
Mais um dia vazio, mais uma grande perda de tempo? Ou simplesmente haverá algum mar de emoções? Poderá ser amanhã um dia memorável, valerá a pena recortar pedaços dele e colocar na gaveta das memórias?
Maria não sabia, sentia-se angustiada.
Tirara aqueles dias só para si, para fechar etapas, para reconhecer finalmente que não tinha controle sobre o tempo que passava. Havia tantas gavetas cheias de recortes, tantas colagens por acabar, tantas memórias a necessitarem de um comentário, tantas imagens do making of para montar.
Queria deixar a folha em branco.
Fechar de vez aquele livro velho cheio de sensações. Boas, más, assim-assim. Fantasmas na sua maior parte, fantasmas que lhe assombravam os dias e os momentos de silêncio insistentemente.
Compreendera ao fim de tantos anos, que não poderia nunca sentir todas as sensações, que não poderia nunca ir a todos os lados, conhecer todas as pessoas, compreendera ao fim de tantas anos a sua pequenez, a sua fonte de insatisfação.
Queria deixar de ser aquela mulher errante, queria fechar o ciclo, queria ser feliz nas pequenas coisas…
Avançava por uma estrada ladeada de pinhal denso, não sabia bem onde a levava. Mas não interessava, estava de férias, tinha o depósito cheio e só procurava um lugar, a paz interior.
O sol desaparecia já totalmente no horizonte criando aquela ponte pálida entre o dia e a noite…
Correu uma lágrima pelo seu rosto…
“Arrumar as gavetas dói, é como se vivêssemos tudo de novo”. Pensou, por entre sorrisos e apertos no coração, por entre a tristeza profunda e a felicidade extrema, por entre aquele turbilhão de coisas que foi sentido, Maria estava ali, a controlar a sua vida. A vê-la, a revê-la, a avaliá-la, a perdoar e a perdoar-se.
Estava ali a explicar-se, a entender-se…
Continuou de viagem durante largas horas.
Parou exausta, extasiada. Procurou onde dormir.
Deixou-se cair em cima da cama com um desalento próprio de quem encontrou aquilo que procurava, e ao faze-lo compreendeu que isso esteve sempre ali, à sua mão.
Bastou parar.
Bastou sentir-se, remexer nos seus pedaços, estava tudo ali. Afinal poderia viajar na sua vida sempre que pretendesse, a sua vida era ela e ela estava ali…
Havia coisas más, coisas boas e coisas assim-assim.
Não sabia dizer se estava satisfeita, mas pela primeira vez na vida sentiu um prazer subtil em adormecer, como se nada no mundo fosse melhor do que deixar-se ir lentamente do mundo real para o imaginado. Sem pressas, sem perdas, sem pensar no ontem nem no amanha…

sexta-feira, junho 01, 2007

Devia ser proibido vir trabalhar após uma noite como a de ontem, a estas horas e para poder ter tempo de fazer a digestão correcta de tanta informação, devia estar eu sentada numa esplanada, de óculos escuros a olhar para um jornal, enquanto recostava lascivamente o meu corpo na cadeira. Degustando um belíssimo café, delta Diamante e vivendo mentalmente todos os momentos. Apreciando os pequenos detalhes, deleitando-me com os tímidos raios de sol do dia de hoje…
Pensando…
Mas não, lá tive eu de vir trabalhar, atrás deste monitor, há lá coisa mais limitativa da imaginação que um escritório? Quatro paredes, secretária, impressora, computador e papel aos montes, e o raio do telefone que nunca se cala…

Andrew Bird - Nervous Tic Motion... Lisbon 31st May 2007

Lindo,lindo, foi simplesmente lindo.
E sim, veio de meias com riscas cor-de-rosa, um mimo.