sábado, maio 23, 2015
Eu e ...o vinho.
Eu e o vinho temos uma "coisa", falamos muito desde cedo. Eu é que levei muito tempo a compreende-lo.
Porque saber beber vinho é um caminho que se faz caminhando, uma aprendizagem ao longo da vida, um processo de envelhecimento em cascos de carvalho francês, uma maturação lenta enquanto os cheiros do dia a dia nos aproximam de cheiros, de tons e a estória dos homens nos ensina os processos de fabrico, as singularidades de cada região até ao pormenor de cada casa.
O vinho é um universo que não acaba e eu ainda nem saí desta galaxia. Mas quero sair. Quero viajar.
Quero saber de castas, de regiões, de acidez, de mineralidade, de processos de envelhecimento e de todo o pequeno pormenor, por mais peculiar que possa ser.
Daqui e de outras terras, porque o vinho é uma idioma universal.
De tudo o que o vinho nos tem para oferecer o torpor do álcool é o menos interessante, o vinho é vida dentro de uma garrafa.
Vivemos muitas vidas enquanto saboreamos vinho. Só isso explica a paixão.
E não é isso que procuramos a todo o momento, viver outras vidas?
Seja num bom livro, num filme ou num vinho extraordinário?
O tempo "engarrafado"? Sensações que não são nossas mas que podemos viver?
Eu e o vinho temos essa "coisa", e andamos a namorar há algum tempo.
Decidi declarar-me.
Um dia foi o jornalismo, hoje é o vinho. Espero um dia poder harmoniza-los.
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Angie Mendes
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12:04 a.m.
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terça-feira, abril 28, 2015
A Liberdade...e o meu gato.
Ao fim da tarde, à hora do comer, saiam dos buracos, do meio das laranjeiras, dos quintais dos vizinhos, os gatos despenteados a que damos sustento, gatos vadios, que se punham a fitar o meu gato, deitados de ar satisfeito no meio do terreno, e o meu inerte olhava-os de volta pelo vidro.
P.S. 41 anos depois do 25 de Abril ainda ouço por ai saudosistas da outra Era. Dantes desgostava-me a ignorância, de forma penosa. Hoje, enche-me de ira, porque uma grande parte da ignorância é voluntária, pior que não saber, é não querer saber...
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Angie Mendes
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11:59 a.m.
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segunda-feira, abril 13, 2015
[Terra...]
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Angie Mendes
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12:55 p.m.
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segunda-feira, março 30, 2015
[Gente...]
Adoro este barulho de fundo. Gente, gente.
Jazz e gente a falar indulgentemente das suas vidas.
Os amores, o trabalho. A conversa de trás que cruza com a da frente.
Burburinho da vida.
o jazz no fundo, os talheres no prato.
o copo que se enche.
Gente.
Dessa gente anónima que não te quer saber. Dessa que não te vê no canto da mesa.
E o cheiro de gente?
O cheiro a comer. A muitos comeres, misturando o molho de soja com o bife de vaca do talho.
O doce com o salgado.
O perfume de homem com o de cabelo lavado.
As laranjas na banca.
O cheiro a gente usada pelo dia de trabalho.
Tantas, tantas histórias anónimas. tantas vidas por contar...
Tudo nestes metros quadrados de gente sentada a mastigar...
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Angie Mendes
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12:07 p.m.
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quinta-feira, fevereiro 12, 2015
A distopia Laboral...
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12:53 a.m.
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segunda-feira, janeiro 12, 2015
Dos limites e outras fronteiras...
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11:02 p.m.
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quinta-feira, dezembro 25, 2014
O ano em que eu ganhei o campeonato familiar...
Lembro-me de ter sido sempre a menina do Papá, que nos idos dos anos 90 me levava a passear ao domingo com sapatos de verniz e vestidos de veludo e me comprava gelados e sempre se ria quando as pessoas lhe perguntavam como se chamava a neta.
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9:23 p.m.
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sexta-feira, novembro 07, 2014
O fim da adolescência tardia e outras convulsões...
E eis que aos 30 me deu essa liberdade de espírito, ser adolescente. Sair, sair, rir muito fazer tudo desalmadamente e só não o fazer como se não houvesse amanhã, porque aos 30, amanhã tens de ir trabalhar.
Ainda não sei se foi uma adulta que vi...mas parece-me mais perto.
O gato, esse Ser que respira é um rasgo de vida na casa. Abrir a porta e encontrá-lo distorce um pouco a realidade da solidão destas quatro paredes. Que não são as minhas, e por mais que eu as encha e as maquilhe, estarão sempre longe do espaço que eu já construí.
Não são as minhas janelas voltadas para a serra nem o meu terraço sob o vasto céu estrelado do Alentejo.
Custa a desprender-se de mim essa visão, desse sitio já construído. Embora se saiba que o caminho fluí noutras direcções, o saudosismo prende-nos à terra como uma ancora.
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10:00 p.m.
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sábado, setembro 20, 2014
Da força de vontade e outros fantasmas…
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8:12 p.m.
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quarta-feira, setembro 03, 2014
O cheiro e o som do silêncio
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11:03 p.m.
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quarta-feira, agosto 13, 2014
Andar distraída…
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2:13 p.m.
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segunda-feira, julho 14, 2014
Estar viva...no Alive...
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10:34 p.m.
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1000....
Este é o post mil....73 dos quais não passaram do rascunho. São linhas perdidas, textos que eu achei que podia escrever, mas não podia.
Porque os textos, juntar as palavras certas, aquelas que traduzem a sério uma emoção, não são inventados, são sentidos. São vividos.
Feliz por viver pela segunda vez as coisas aqui... desde 2006...
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10:13 p.m.
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segunda-feira, junho 30, 2014
“An important question which should be answered; is it possible to be happy and lonely in the meantime?” Camus, A.
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10:48 p.m.
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segunda-feira, junho 09, 2014
"Live fast, worry no more"
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11:35 p.m.
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segunda-feira, maio 12, 2014
"Tem que doer, pois se não doer como sabemos que estamos vivos (Apeles)"
Doí sempre. Doí porque estás bem e queres fazer o teu melhor e doí porque não estás preparada e queres chegar ao fim, nem que seja de rastos.
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5:01 p.m.
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terça-feira, maio 06, 2014
O culto (egocentrico) da imagem.
Desde que aderi ao instagram tirei 1066 fotografias. Muitas delas são versões de mim. Uma espécie de coleção: "Anita na praia, Anita no campo. A Anita vai ao restaurante, a Anita aprende a correr."
Um dia destes conversava com alguém sobre o facto de que o facebook e a partilha de fotos ou simples pensamentos me ajudam a reduzir a sensação de solidão. Quando vives só o silêncio entre paredes pode ser avassalador. Por maior que seja a tua paz interior, o confronto com outros, a troca de palavras, um simples "like" ocupa espaço no teu tempo, faz-nos sentir acompanhados como se vivos no pensamento de alguém por breves segundos.
É a nossa humanidade a sobrepor-se a um estado racional. A nossa necessidade de criar memória e de partilha-la. É isso, esse culto de imagem que nos embala.
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Angie Mendes
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11:20 p.m.
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segunda-feira, abril 28, 2014
"Joie de vivre"
Ultrapassado esse ponto invade-nos uma sensação morna de felicidade. Cresce no centro do corpo e se eleva fazendo ruborescer as faces.
Mas sair e encarar a realidade dá-nos esta sensação de ressaca emocional....
Pagamos sempre, de qualquer forma os excessos da vida."
E quando um dia é apenas um dia, só mais um dia. Uma espécie de papel branco que não se vai preencher nem encher de história cresce-nos este amargo de boca, um tédio existencial, o sentimento de desperdício, de tempo, de vida. "Hoje não estou a ser tudo aquilo que posso ser. Não estou a aprender, não estou a ser feliz ou a sofrer. Não estou."
Essa linha plana a seguir a altos e baixos cria esta sensação física de ressaca, banhada de ansiedade, vazio.
A ressaca emocional agrava-se há segunda-feira. Mesmo ontem éramos livres...hoje estamos de volta ao mundo real.
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Angie Mendes
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11:03 p.m.
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quarta-feira, abril 09, 2014
“I would rather live my life as if there is a god and die to find out there isn't, than live my life as if there isn't and die to find out there is.” ― Albert Camus
Segundo Garcia Marquez...agora já sou...
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Angie Mendes
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10:16 p.m.
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domingo, março 30, 2014
A estrada perdida...
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Angie Mendes
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11:05 p.m.
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