domingo, dezembro 16, 2012

Cadernos de Viagem I



Se o que importa não é o destino, mas sim a viagem, começo em modo sem destino nem objectivo.

Sem preconceitos, nem ansiedades ou perspectivas.

Porque as viagens podem ser mais que movimento físico e terreno ou olhares espantados para o admirável mundo novo que há do outro lado.

As viagens podem ser momentos de profunda introspecção, de projecção de nós no vazio, fora da zona de conforto, dos lugares comuns, nós num sítio inesperado, onde somos abstractos e sozinhos, rostos desconhecidos na multidão.

Gosto de viajar, embora seja avessa ao desconforto. A muitas horas de vazio e coisas pouco familiares. 

Mas gosto de aeroportos, daquele movimento. Da mescla de pessoas que se cruzam, uns despachados e senhores do sítio, outros com ar desajeitado de principiante.

Vidas inteiras dentro de malas, sorrisos de quem vai viver as férias da sua vida e choros de quem vai partir sem data para voltar. Tudo misturado com o som que anuncia partidas e chegadas e as luzes dos painéis de informação, que vivem em movimento perpétuo.

A luz das lojas das zonas de embarque e o avião, o céu, o mundo de possibilidades espalhadas pelos corredores. 

Os aeroportos são mágicos por isso, por esse sentimento de possibilidade. Algo sempre a mudar…

Não conheço o sítio para onde vou. Não conheço as temperaturas que vou encontrar, não sei sequer, se o meu espírito tropical vai aguentar o choque térmico.

Mas estou ansiosa por partir. Começar. 

Entrar no avião e ir, simplesmente. 

Estar na viagem.


2 comentários:

Calimera disse...

Sempre achei que os aeroportos são zonas de grandes cargas de energia... As alegrias da chegada e de quem faz aquela viagem tão desejada, as lágrimas da partida e da despedida.
Só mesmo lá e no meio da correria se sente essa carga energética

Ângela Mendes disse...

Sim, há realmente algo de especial nos aeroportos. Um sentimento de possibilidade...mudança, é revitalizante!