quinta-feira, janeiro 31, 2008

No proximo sabado no MUSICBOX

Vou estar por lá mais uma vez a fazer de "gruppie" aos Skazoomba, ilustre banda de Ska Raggae, da qual faz parte o meu cunhado!

Apareçam!

quarta-feira, janeiro 30, 2008

Sala de Cinema IV- Control



É um retrato a negro, assim como negra era a aura de Ian Curtis.
Quantas dúvidas e fantasmas e confusões existiriam dentro de si para que a vida deixasse de ter forma, para que o facto de existir deixasse de ser algo que não se sente, algo que simplesmente está ali.
Afinal, é mesmo necessário ser-se assombrado para se criar formas de arte superiores?
Não sendo um filme genial (quanto a mim!) é, sem duvida, uma biografia clara, simples e directa áquilo que nos interessa compreender o percurso entre o jovem pacato e saudável que escrevia umas coisas engraçadas nos subúrbios cinzentos de uma cidade Inglesa até ao estado de conflito interior, potencialmente suicida, provocado por uma doença na altura ainda incompreendida e por uma ascensão artística sufocante.

Por vezes, caminhamos num sentido e tentamos alcançar algo, a nossa vida intensifica-se e torna-se complexa.
Por vezes, quando lá chegamos, compreendemos que éramos bem mais felizes lá atrás…
Nem sempre os nossos sonhos são bons, existe sempre outro lado…

Levity


Um único momento no passado pode transformar-se numa sombra pairando sobre nós durante toda a vida.
E aquilo por que esperamos sempre, aquilo que achamos que iria exorcizar esse erro de dentro de nós, depois de concretizado não passa de um outro erro, de uma sucessão de acontecimentos dolorosos, por vezes de pequenos enganos. Afinal deveria ou não deixar-se o passado mesmo lá atrás?
Deu que pensar…

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Porque nem só de filmes se faz a vida...



2008 já está instalado e com ele novas perspectivas, novas ambições e a vontade de triunfar que têm aqueles que estão acabados de nascer.
Este final de Janeiro que cheira a Primavera trouxe consigo desafios, e os desafios implicam sempre o medo de não se estar à altura de conseguir.


Por vezes olhamos no espelho e a imagem que ele nos reflecte não corresponde a esse ar confiante que seria de esperar, o espelho quase que nos fere ao reflectir todas as nossas fragilidades nuas.

Outras vezes um sorriso mal esboçado chega para nos dar a parecer que afinal existe algo mais dentro de nós.

Como é difícil gerir o nosso próprio ser…


Esperam-se novidades, quem sabe na 1ª página a cores!!

quarta-feira, janeiro 16, 2008

All About Eve


Um filme sobre o teatro que é um “teatro” em si.
Diálogos longos, acutilantes, cenários reduzidos e um núcleo narrativo central muito forte.
Não existem dispersões, “It’s All About Eve”.
Ou melhor, tudo sobre um esquema muito bem engendrado. Tudo sobre uma mulher ambiciosa e sem escrúpulos, para quem os fins justificam sempre os meios.
E nem chega a ser criminoso, porque não é crime ser-se dissimulada, nem levar as outras pessoas a gostar de nós de uma maneira irreflectida.
Não é crime ser-se dissimulada e dizer uma coisa aqui e outra ali.
Eve, apenas sabe como ludibriar as pessoas, Eve sabe perfeitamente qual é o seu objectivo.

Mas apesar de o filme ser “About Eve” (Anne Baxter), a grande tela pertence toda a Margo(Bette Davis), Uma diva, na plenitude da palavra.
Porque esbanja charme a cada gesto, porque a sua personagem na crise dos quarenta com traços dramáticos dignos de um acto teatral é simplesmente deliciosa.

Tanto Anne Baxter com Bette Davis foram nomeadas para o oscares de melhor actriz principal, sendo que o filme ganhou em 1950 6 Óscares:

Melhor actor secundário (George Sanders)
Melhor Guarda-roupa
Melhor Realizador (Joseph L. Mankiewicz)
Melhor Filme
Melhor Som
Melhor Argumento


E tudo isto por apenas 9.90€ numa qualquer superfície comercial E. Leclerc.
Não tem extras nem horas de conversa sobre a importância deste filme na história do cinema. È uma pena.
Mas não nos podemos queixar, não se pode ter tudo. E mesmo sem extras, bem-haja à democratização da cultura a preços acessíveis.


terça-feira, janeiro 15, 2008

Sala de Cinema III - American Gangster



Seriam mesmo assim os loucos anos 60?
As pessoas acotovelavam-se pelas ruas em puro êxtase, inebriados pelas doses de heroína que se vendiam na esquina por uns tostões?
Seria assim tão simples ser-se simplesmente agarrado e viver à margem da lei embalado em ondas de Jazz e do emergente Rock n’ roll?
Não é disto que nos fala o filme, mas é esta a sua envolvente, o seu cenário. Os clubes “Fashion” de Jazz e Funk e as ruas sujas do Harlem.

Conta-nos a ascensão e queda de um homem, que com o tempo se torna poderoso, mas que já antes era destemido.
Que é frio e consequente, que sabia que num mundo de brancos, na sua época, pouco lhe restava além de viver na sombra de forças corruptas, de antigas máfias instaladas e da lei obscura das ruas.
Frank Lucas empreende o sonho americano.

Rossel Crow é um detective aspirante a advogado que fez o impensável num mundo em que a corrupção dentro das forças policiais era uma banalidade. Não se deixou subornar.
Det. Richie Roberts vive no limbo entre a sua carreira e a família há muito perdida entre infidelidades e ausências.
Quer ser advogado, mas tem medo de falar em publico.
Tem um ar seboso e desleixado, mas está nas suas mãos fazer a limpeza necessária a restabelecer a ordem natural das coisas.

Ao início o filme parecia um bocado perdido, a narrativa estava um pouco fragmentada, mas com o passar dos minutos a trama ganha consistência e acaba por ser um excelente filme.
Um excelente filme que tem também uma excelente banda sonora!

What goes around comes around...

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Tão Fofo!!!!

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Tontices!

Que querem?! Adoro gatos!

domingo, janeiro 06, 2008

Vertigo (A mulher que viveu duas vezes)


Hitchcock encontrou a receita mais conseguida para criação de medo, da ansiedade e expectativa através de imagens.
Os planos, as cores baças, as personagens.
O tema central e a intrincada história que é o fio condutor de um final inesperado.
Acho que é um excelente!

sábado, janeiro 05, 2008

2008



È um mundo de possibilidades que se estende à minha frente em forma de calendário.
Há projectos profissionais para se por em marcha, coisas para se criar, vidas e temas e assuntos e coisas extraordinárias para se descobrir e escrever.
Há filmes para ver, livros para ler um mundo de coisas desconhecidas que me empolgam e me deixam deleitada e frustrada ao mesmo tempo, porque o tempo é curto para descobrir todas elas.

Existo eu, cheia de vontade de me criar e construir, num novo mundo de percepções, de me compreender e crescer, crescer muito, deixar de viver “encasulada”, tentar ser um pouco mais com o mundo.

Ter paz.
Queria muito que 2008 me trouxesse paz. De espírito, paz no meu quotidiano. Paz que me permita apreciar as pequenas coisas, o meu banho de espuma quente, a musica que ouço, o meu pequeno-almoço ou o sol da manha, os lençóis lavados acabadinhos de colocar.
Quando penso nisso, afinal são precisas poucas coisas para me fazer feliz…
No entanto é tão difícil juntá-las todas numa mesma constelação.

Que 2008 seja isso, paz para mim e paz para o mundo.

2007




Foi um ano difícil.
Houve muita distância. Muitas viagens pelo caminho.
Houve dias em que a esperança se esvaia de dentro de mim e eu achei que não ia conseguir. Houve outros em que algo dentro de mim brilhava como um sol e me deu força para continuar a cumprir a minha pena, a pena que me foi destinada pela minha inconsequência porque tive medo e dúvidas e insegurança, porque não fui capaz de lutar, nem de escolher o caminho mais difícil que afinal era o mais fácil… o medo tolda-nos, impede-nos de viver.
Houve o curso de escrita criativa, houve o festival de Sines e o cruzeiro no mediterrâneo. Houve Andrew Bird no São Jorge e Micah P. Hinson no Santiago Alquimista. Tantos outros no CAEP, sempre algo a acontecer.
Houve o maior período de tempo na minha vida em que vivi com a minha irmã, incrível não é?
Só depois de crescidas conseguimos estar na mesma casa mais que um mês, mais que umas férias grandes ou os dias perdidos da nossa infância. Foi bom, poderia ter sido melhor, poderia ter apreciado melhor cada dia, poderíamos ter feito tantas coisas que ficaram por fazer, tantas outras por dizer.
Mas os dias são curtos para quem tem o coração noutro lugar e sonha sempre com a viagem a seguir. Ficou a certeza que nos falta muito para nos conhecermos, muita coisa de irmãs para partilhar.
Depois a volta. A CASA, à minha casa. A tudo o que aqui me pertence e me preenche o coração.
Tudo foi difícil em 2007. Tantas decisões difíceis, crises familiares, períodos em que não soube o que fazer comigo.
Mas estou de volta. Com tudo de difícil que isso possa implicar.
Com as viagens ao contrário, com o emprego menos auspicioso, com as dificuldades que isso me trás.
Estou de volta e tenho o coração confortado, nem sempre é fácil viver, decidir, construir, avançar.
Não é fácil, mas neste novo ano não estou mais sozinha.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Key Largo (Paixões em Fúria)



Johnny Rocco: There's only one Johnny Rocco.
James Temple: How do you account for it?
Frank McCloud: He knows what he wants. Don't you, Rocco?
Johnny Rocco: Sure.
James Temple: What's that?
Frank McCloud: Tell him, Rocco.
Johnny Rocco: Well, I want uh ...
Frank McCloud: He wants more, don't you, Rocco?
Johnny Rocco: Yeah. That's it. More. That's right! I want more!
James Temple: Will you ever get enough?
Frank McCloud: Will you, Rocco?
Johnny Rocco: Well, I never have. No, I guess I won't. You, do you know what you want?
Frank McCloud: Yes, I had hopes once, but I gave them up.
Johnny Rocco: Hopes for what?
Frank McCloud: A world in which there's no place for Johnny Rocco.


Uma ilha, um hotel fechado, um forasteiro, um chefe da máfia e seus seguidores e uma tempestade são o mote para este filme, tenso, inspirado e diferente.
Humphey Bogard não é aqui o Galã do costume, apenas e só um soldado desalentado com a guerra de volta ao mundo real. Lauren Bacal não é aqui a deusa do costume, apenas uma rapariga que perdeu o marido na guerra e que vive na candura de uma ilha estancia balnear. A tensão existente no filme não é entre eles, ao contrário do que o título português sugere, mas sim entre um bando de malfeitores e todas as outras personagens.
Todos estão na hora certa no local errado, tanto mais que se aproxima um furacão capaz de varrer por completo a ilha e deitar abaixo os planos de todos.
Claire Trevor leva deste filme o Óscar para melhor actriz secundária com a sua interpretação de Gaye Dawn, antiga cantora, concubina do chefe mafioso, bêbada desolada comovente por vezes.

quinta-feira, janeiro 03, 2008

O Labirinto de Fauno


[first lines]

Pan: A long time ago, in the underground realm, where there are no lies or pain, there lived a Princess who dreamed of the human world. She dreamed of blue skies, soft breeze, and sunshine. One day, eluding her keepers, the Princess escaped. Once outside, the brightness blinded her and erased every trace of the past from her memory. She forgot who she was and where she came from. Her body suffered cold, sickness, and pain. Eventually, she died. However, her father, the King, always knew that the Princess' soul would return, perhaps in another body, in another place, at another time. And he would wait for her, until he drew his last breath, until the world stopped turning...

Duas linhas narrativas envolvem este filme.
Uma tão real e dolorosa como a Guerra civil de Espanha, outra tão etérea e fantasista como o mundo encantado da magia e das fadas que povoam o imaginário das crianças.

A maneira como estes mundos se misturam e a lição de moral tradicional dos contos de fadas, a ambiência escura e ambivalente que nos leva entre um mundo de Fadas e de monstros, de cores bonitas e de escuros incontornáveis, fazem com que este filme provoque uma miscelânea de emoções. Se á 1ª vista fica a sensação de que ficou algo por contar, ou que à história em si falta algo, com o tempo, e depois de digeridas todas as imagens, apetece voltar a ver e tentar compreender as peças que me faltaram.

Um excelente filme para um noite fria de Inverno, que veio acompanhado de um DVD de extras que ainda irá merecer uma atenção.

Este deve ser o 1º filme que vejo em espanhol que não é do Sr. Almodôvar.
Temos o cinema a mudar do outro lado da fronteira?

Jackie Brown





"Ordell Robbie: My ass may be dumb, but I ain't no dumbass."


O que é que o Tarantino tem que os outros não têm?Uma completa falta de pudor na maneira como olha o mundo, do pequeno e grande crime. Uma completa falta de “filtro” na discrição dessa cultura americana, de pequenos traficantes de periferia, dessa massa humana sem consciência nem barreiras entre o bem e o mal.Tudo em Tarantino se apresenta com naturalidade, a brutalidade, os códigos de honra, os delitos, o deboche, a verborreia de palavrões, a vida e a morte das suas personagens, tudo mas mesmo tudo não passa de um retrato de um quotidiano que ainda me custa a entender se existe.

Depois há aquela mistura da modernidade com o “kitsch” em todos os seus filmes que já vi. Tarantino ficou preso algures no outro século, e continua a misturar as estéticas visuais e sonoras desse outro tempo com as vidas “atrapalhadas” e sinuosas das suas personagens.

Jackie Brown é isso tudo e também um enredo inteligente e simples, e é mais uma vez um filme louvando uma mulher, a mulher que engendra o plano, a mulher que consegue concretiza-lo e sair da melhor maneira, deixando para trás os bons e os maus.As mulheres de Tarantino são assim, querem vingança, querem mudar de vida, querem algo e procuram, até agora têm encontrado.