segunda-feira, outubro 07, 2013

"The only real progress lies in learning to be wrong all alone." - Albert Camus


Crescemos sempre acompanhados. Amparados por todas essas pessoas que destingem por nós o bem e o mal.

Todas essas pessoas que nos apontam caminhos e nos primeiros anos escolhem por nós. Coisas pequenas -o que fazer, quando comer, onde ir, com quem conviver. Coisas grandes - o nosso destino, onde vivemos, que tipo de educação teremos e desenham por nós a pessoa que havemos de ser.

Todos eles a apontar o nosso erro. Os erros são por isso coisas que os outros encontram em nós. Defeitos de fabrico, pequenas falhas de educação, grandes desvios de personalidade. Erros, são coisas que os outros descobrem. Anuímos perante isso. Somos educados para a culpa. O erro é culpa que vem do exterior.

Crescer é interiorizar o erro. Descobri-lo, admiti-lo e viver.

E esse processo é tremendo e violento. Vem com o medo.

_____________

Diz que os 30 são os novos 20. Parece óbvio. Somos adolescente inconsequentes mais cedo, adultos mais tarde e a deriva intensifica-se.

Falta cerca de 4 meses para fazer 30 anos e quando olho para trás vejo uma década ambígua. Talvez não seja perdida, talvez tenha sido essencial.

Mas a poucos dias de começar mais uma etapa escolar aqui estou eu. À beira de uma nova década, temendo os primeiros dias de aulas com o desconforto do confronto com pessoas desconhecidas. Com as apresentações ao estilo grupo de ajuda, currículos e egos a encher a sala.

Salas, corredores e pessoas para fixar. Uma vida nova para além da vida. Desprovida de sentido e assustadoramente na deriva.

Porque na minha outra década - a passada - era suposto ser isso, era suposto estar nesse entre e sai de salas com cadeiras desconfortáveis, nesta década...ainda não sei onde é suposto estar.

_____________

Sinto a década a acabar nesse salto de fé. De que o caminho se faz caminhando e que de alguma forma, no fim, o absurdo de cada momento vivido, tudo fará um grande sentido. Porque não faz por enquanto.

Nada faz num mundo em que os pressupostos iniciais foram alterados. Num jogo cujas regras mudaram a meio e não nos foi permitido sair. 

_____________ 

Borboletas na barriga e dúvidas...
O tempo...e essa impossibilidade de o refazer...
Abrir o coração ao erro, aceitá-lo. Descobri-lo sozinha e pacificá-lo no meu ser.
Crescer.

Espremido o tempo...somos tantos e estamos tão completamente sós....


Sem comentários: