quarta-feira, setembro 16, 2015
De morrer...
Medo...só de ter uma morte desgraçada
que me exploda a cabeça
e eu não consiga pensar em nada
que me prendam as pernas, fique tropeça
Que me afogue nos meus pulmões
sem coração para respirar
que nem consiga maldizer com palavrões
tamanha falta de ar
Medo...só que a vida tenha sido miserável
que não se me fulmine de vez a alma
e eu fique nesse estado inimaginável
um vegetal secando com calma
Medo..só de não me poder valer
de habitar um corpo que não é meu
dele me abandonar, deixar-se morrer
castigar-me...diluindo o eu
Ficar desalojada
essa desencarnação
O meu corpo, casa ocupada...
pensa ao ritmo que bate o coração...
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Angie Mendes
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12:26 a.m.
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terça-feira, agosto 25, 2015
A casa imaginada...
Vivo numa casa imaginada
cujas paredes vou moldando
não tem telhado, nem chão...nada
e da janela vê-se um mundo que estou pintando
Não tem cheiro seu
cheira a todas as casas onde vivi
a um canto solarengo de céu
ás vezes quase que cheira a mim
Na rua uma loja com maças
um café de esquina
onde me sentar pelas manhãs
bebendo canecas de cafeina
Um bom dia sorrindo
uma porta familiar
um cão correndo
um sitio onde descansar
A casa imaginada
todas as casas onde vivi
uma casa inventada
que só existe dentro de mim.
Uma casa que é errante
que está em todo o lado
como um mau amante
tudo é apenas imaginado...
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Angie Mendes
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9:40 p.m.
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segunda-feira, agosto 17, 2015
Os dias...
Os dias...vividos em espanto
o oxigênio extinguindo-se... acabando
o tempo que se perde...tanto
Roçando-nos na pele...queimando
Os dias, que esperamos deles?
das horas, dos minutos contados?
essa sensação de perda na pele
esse mar de sonhos inquinados
E de novo os dias incessantes
manhã, tarde, noite, madrugada...
nós perdidos a vive-los errantes
mas sem os dias...não nos sobra nada...
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Angie Mendes
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10:34 p.m.
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quinta-feira, agosto 06, 2015
As ondas...
rolando na maré com ânsia de respirar.
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Angie Mendes
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12:39 a.m.
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segunda-feira, agosto 03, 2015
Agosto...
Será que vivemos outro Agosto?
Que a história se escreve
que se esgota o desgosto
num qualquer vinho que se bebe...
Será que ainda vamos cá estar?
sem respostas, só duvidando
sem vontade nem forma de perguntar
com o silêncio nos enganando...
Vivemos outro Agosto?
Consegues imaginar?
A este sinto-lhe o gosto
Que estarás tu a pensar....
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Angie Mendes
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11:28 p.m.
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Uma mala...

Queria que vida coubesse toda numa mala
leve, mas sem fundo
Que desse para agarrar e levá-la
Sair sem raízes para o mundo
Ser a única bagagem
Uma mala que eu pudesse carregar
Sem plano nem mapa, só coragem
Sem casa para onde telefonar
Uma vida dessas leves
Sem problemas nem resoluções
Noites longas e dias breves
Sem expectativas nem ilusões.
Uma mala só de histórias
Sem trabalhos nem ralações
Uma mala de boas memórias
Existir nos dias, não ter preocupações....
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Angie Mendes
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12:42 a.m.
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terça-feira, julho 28, 2015
O cansaço...
O cansaço dos dias acumulando-se nos pés.
As noites pouco dormidas
Os dias corridos e acabados no limite da fé.
O cansaço destas vidas.
Os dias que não podem ser um qualquer dia
Essa ilusão de significado
Das horas, de estimulo perpétuo
O cansaço acumulado sobre essa ideia de alegria.
E o vazio do cansaço, que não nos deixa sossegar
A negação da procrastinação
A repulsa do inútil, do tempo perdido a pensar
O cansaço vivido na negação.
Um dia que é um dia qualquer
O cansaço assim sendo desperdiçado
E nós gastando a vida sem saber....
Um dia que não foi O dia... acabado.
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11:53 p.m.
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quarta-feira, julho 08, 2015
Os tempos que vivemos...
O melhor afinal já tinha passado.
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Angie Mendes
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10:38 p.m.
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quarta-feira, junho 24, 2015
Histórias da Cidade I
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Angie Mendes
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11:50 p.m.
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sábado, maio 23, 2015
Eu e ...o vinho.
Eu e o vinho temos uma "coisa", falamos muito desde cedo. Eu é que levei muito tempo a compreende-lo.
Porque saber beber vinho é um caminho que se faz caminhando, uma aprendizagem ao longo da vida, um processo de envelhecimento em cascos de carvalho francês, uma maturação lenta enquanto os cheiros do dia a dia nos aproximam de cheiros, de tons e a estória dos homens nos ensina os processos de fabrico, as singularidades de cada região até ao pormenor de cada casa.
O vinho é um universo que não acaba e eu ainda nem saí desta galaxia. Mas quero sair. Quero viajar.
Quero saber de castas, de regiões, de acidez, de mineralidade, de processos de envelhecimento e de todo o pequeno pormenor, por mais peculiar que possa ser.
Daqui e de outras terras, porque o vinho é uma idioma universal.
De tudo o que o vinho nos tem para oferecer o torpor do álcool é o menos interessante, o vinho é vida dentro de uma garrafa.
Vivemos muitas vidas enquanto saboreamos vinho. Só isso explica a paixão.
E não é isso que procuramos a todo o momento, viver outras vidas?
Seja num bom livro, num filme ou num vinho extraordinário?
O tempo "engarrafado"? Sensações que não são nossas mas que podemos viver?
Eu e o vinho temos essa "coisa", e andamos a namorar há algum tempo.
Decidi declarar-me.
Um dia foi o jornalismo, hoje é o vinho. Espero um dia poder harmoniza-los.
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12:04 a.m.
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terça-feira, abril 28, 2015
A Liberdade...e o meu gato.
Ao fim da tarde, à hora do comer, saiam dos buracos, do meio das laranjeiras, dos quintais dos vizinhos, os gatos despenteados a que damos sustento, gatos vadios, que se punham a fitar o meu gato, deitados de ar satisfeito no meio do terreno, e o meu inerte olhava-os de volta pelo vidro.
P.S. 41 anos depois do 25 de Abril ainda ouço por ai saudosistas da outra Era. Dantes desgostava-me a ignorância, de forma penosa. Hoje, enche-me de ira, porque uma grande parte da ignorância é voluntária, pior que não saber, é não querer saber...
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11:59 a.m.
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segunda-feira, abril 13, 2015
[Terra...]
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12:55 p.m.
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segunda-feira, março 30, 2015
[Gente...]
Adoro este barulho de fundo. Gente, gente.
Jazz e gente a falar indulgentemente das suas vidas.
Os amores, o trabalho. A conversa de trás que cruza com a da frente.
Burburinho da vida.
o jazz no fundo, os talheres no prato.
o copo que se enche.
Gente.
Dessa gente anónima que não te quer saber. Dessa que não te vê no canto da mesa.
E o cheiro de gente?
O cheiro a comer. A muitos comeres, misturando o molho de soja com o bife de vaca do talho.
O doce com o salgado.
O perfume de homem com o de cabelo lavado.
As laranjas na banca.
O cheiro a gente usada pelo dia de trabalho.
Tantas, tantas histórias anónimas. tantas vidas por contar...
Tudo nestes metros quadrados de gente sentada a mastigar...
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12:07 p.m.
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quinta-feira, fevereiro 12, 2015
A distopia Laboral...
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segunda-feira, janeiro 12, 2015
Dos limites e outras fronteiras...
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quinta-feira, dezembro 25, 2014
O ano em que eu ganhei o campeonato familiar...
Lembro-me de ter sido sempre a menina do Papá, que nos idos dos anos 90 me levava a passear ao domingo com sapatos de verniz e vestidos de veludo e me comprava gelados e sempre se ria quando as pessoas lhe perguntavam como se chamava a neta.
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9:23 p.m.
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sexta-feira, novembro 07, 2014
O fim da adolescência tardia e outras convulsões...
E eis que aos 30 me deu essa liberdade de espírito, ser adolescente. Sair, sair, rir muito fazer tudo desalmadamente e só não o fazer como se não houvesse amanhã, porque aos 30, amanhã tens de ir trabalhar.
Ainda não sei se foi uma adulta que vi...mas parece-me mais perto.
O gato, esse Ser que respira é um rasgo de vida na casa. Abrir a porta e encontrá-lo distorce um pouco a realidade da solidão destas quatro paredes. Que não são as minhas, e por mais que eu as encha e as maquilhe, estarão sempre longe do espaço que eu já construí.
Não são as minhas janelas voltadas para a serra nem o meu terraço sob o vasto céu estrelado do Alentejo.
Custa a desprender-se de mim essa visão, desse sitio já construído. Embora se saiba que o caminho fluí noutras direcções, o saudosismo prende-nos à terra como uma ancora.
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10:00 p.m.
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sábado, setembro 20, 2014
Da força de vontade e outros fantasmas…
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quarta-feira, setembro 03, 2014
O cheiro e o som do silêncio
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quarta-feira, agosto 13, 2014
Andar distraída…
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Angie Mendes
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2:13 p.m.
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