terça-feira, julho 03, 2007

A Dália Negra

Director:Brian De Palma
Writers (WGA):Josh Friedman (screenplay)
James Ellroy (novel)
Release Date:21 September 2006 (Portugal)


Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: Nothing stays buried forever. Nothing.
Madeleine Linscott: Elizabeth and I made love once. I just did it to see what it would be like with someone who looked like me.
The Coroner: The victim has been cut in half, all the organs removed, blood drained from the body, and the mouth sliced ear to ear.
Madeleine Linscott: [to Bucky] I think you'd rather fuck me than kill me. But you don't have the guts to do either.
Madeleine Linscott: Get the picture?
Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: Technicolor.
Russ Millard: Hollywood will fuck you when no-one else will.
Ofcr. Dwight "Bucky" Bleichert: I don't get modern art.
Madeleine Linscott: I doubt modern art gets you, either.


Senti vontade de ver este filme assim que estreou nos cinemas, e ainda dei uns prolongados olhares para a capa do livro de James Ellroy, mas o tempo passa e distraímo-nos com outras coisas.
O filme começou por ser surpreendente desde o início, esperava que fosse muito mais centrado no caso Dália Negra, mas no fim de contas este é apenas o pretexto para ser contada a história de Mrs. Ice & Mrs. Fire e o seu elo de ligação Kay Lake.
Passamos boa parte do filme a vê-los na sua vida quotidiana, a sua ascensão enquanto polícias, a sua vida a três quase onirica e pura, sem haver de facto uma ligação sexual explicita entre nenhum dos três lados do triangulo, mas no triangulo há sempre um elo mais fraco, e mais tarde esse elo irá ceder.
A Dália Negra surge um pouco mais à frente como pretexto à exploração das obsessões, de como a ânsia de poder ou de reconhecimento podem de repente desencadear comportamentos excessivos, descontrolados, fatais…
Ficou um gostinho a pouco, merecia mais tempo de antena a Dália Negra magneticamente representada por Mia Kirshner (que podemos ver na série L Word). O seu ar indefeso e assustado e ao mesmo tempo terrivelmente sexual incorporaram perfeitamente Elizabeth Short.
Surpreendeu também Hilary Swank na sua pérfida menina rica Madeleine Linscott, carregada de erotismo e maldade, sempre entre um mundo e outro onde a linha que divide o bem do mal é muito ténue.
Gostei dos diálogos, da fotografia, da banda sonora e achei a maior parte dos cenários deliciosos.
Pergunto-me se se vivia assim em 1947 em Hollywood?!
Parece demasiado à frente no seu tempo… No entanto o glamour da época está lá todo, a negro como se quer num filme Noir.

segunda-feira, julho 02, 2007

Simples...


“O Fundo das Nações Unidas para a População prevê que já no próximo ano mais de metade da população mundial esteja a viver nos grandes centros urbanos.”

Sinceramente não quero fazer parte desta estatística, nem deste trânsito arrepiante, deste stress constante, desta sensação de perda de tempo, porque o tempo aqui passa a correr e são horas rápidas, vazias que se poderiam preencher de tantas maneiras…Este fim-de-semana fiz uma viagem linda, atravessei todo o Alentejo até Beja, zona que será talvez o Alentejo na sua versão mais genuína, onde as pessoas não tem qualquer tipo de constrangimento em mostrar a sua acentuada pronuncia e onde o gerúndio se usa só porque sim, porque há tempo, há tempo até para se escolher as palavras para falar. Por esta altura do ano encontrei um Alentejo pintalgado de campos de girassóis, de campos vastos de trigo e matas ainda verdejantes. Passei por várias terrinhas simpáticas de casas baixas brancas e de faixa azul onde as pessoas se sentam á porta a ver passar os carros e a aproveitar os últimos raios de sol do fim de tarde, enquanto as crianças correm descalças ou andam de bicicleta no terreiro em frente a casa, sem pressas, sem medos. Simples.

Depois ontem estive em Grândola, no nosso monte perdido no meio de eucaliptos e pinheiros, onde ao fim da tarde cheira a horta acabada de regar e a gasóleo dos motores de tirar agua, onde no pico do verão às três da tarde parece que o tempo parou e onde conseguimos ver as ondas de calor que pairam sobre a areia que ferve.
Descalcei-me. Adoro andar descalça no monte, sujar os pés na areia sentir as ervas, andar com cuidado evitando as pedrinhas e a carumba dos pinheiros.
Fui ver as abóboras que crescem já no meio das folhas grandes que se espalham por debaixo das oliveiras, fui cuscar o ninho dos pombos que tem um novo residente ainda com penas acastanhadas e um ar amedrontado, fui espreitar debaixo das laranjeiras à procura da gata Mia e lá estava ela, esperta, ligeira e empoeirada, feliz. Saltitante e cheia de vontade de levar miminhos e festas.
Assim passei a tarde, uma tarde cheia de sensações, de coisas tão simples sempre com a companhia boa do colinho da minha mãe.
Simples.

Hoje estou aqui. Sinto uma sensação se sufoco enorme, como se no meio desta enorme selva urbana não houvesse espaço para eu respirar.

Pensei que poderia habituar-me a uma vida urbana e cosmopolita, que talvez com o passar do tempo as coisas fossem ficando mais suportáveis. Mas o tempo a passar só acentua todas as coisas que eu detesto na cidade e faz-me sentir ainda mais saudades de todas as coisas que eu adoro na vivência que se tem numa terra pequena e simples.

Talvez seja essa a razão, porque lá as coisas são simples, porque no fundo é só o que quero, que a minha vida seja simples de viver, simples de apreciar, simples de sentir.
Simples e feliz…

quinta-feira, junho 28, 2007

Another Woman

Director: Woody Allen


Writer: Woody Allen



Release Date:18 November 1988 (USA)



Genre: Drama



Plot Outline: Facing a mid-life crisis, a woman rents an apartment next to a psychiatrist's office to write a new book, only to become drawn to the plight of a pregnant woman seeking that doctor's help.




Marion: I wondered if a memory is something you have or something you've lost.

Ken: I accept your condemnation.
Paul: Do you remember some years ago when I showed you something I'd written, do you remember what you said?
Marion: No, I don't remember. I was probably just trying to be truthful.

Paul: Yes, I'm sure. You said, "This is overblown, it's too emotional, it's maudlin. Your dreams may be meaningful to you, but to the objective observer, it's just so embarrassing."

Marion: I said that?

Paul: Exactly your words. So I tried not to embarrass you any more.

Marion: [reciting the poet Rilke] For here there is no place that will not see you... You must change your life


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Será assim que um dia acordaremos e perceberemos que passamos a maior parte das nossas vidas a racionalizar, a conter, a menosprezar as nossas verdadeiras emoções?
A querer de algum modo ter o controlo absoluto sobre nós e sobre o mundo e no meio desse controlo obstinado perdemos a melhor parte, o inesperado, o surpreendente, o genuíno…
“Another Woman” é sem dúvida um filme surpreendente, pelas opções narrativas que contém, por este argumento simples que gira à volta de uma personagem tão complexa, por ter o dom de nos deixar assim, a reavaliar coisas, a medir situações a pensar que talvez um dia poderemos ser nós a compreender que apesar de todos os nosso esforços temos uma vida vazia…
“For here there is no place that will not see you... You must change your life” Rilke


segunda-feira, junho 25, 2007


Este festival merece um apontamento!
Duvido que haja local mais bonito no país para se assistir a um concerto, por detrás do palco apresenta-se Marvão como um raio de luz perdido na noite, uma presença forte e inquestionável da obra conjunta da natureza e do Homem.

Depois boa música, e bom ambiente. Só é pena que tenha havido uma fraca afluência de publico, e que as noites tenham sido mais de Inverno do que de Verão.

Esperemos que para o ano haja mais.

Rock Fest Marvão III

THE POPPERS -

Rock Fest Marvão II

Dapunksportif

Rock Fest Marvão - I

Bunnyranch - Little Bird Get In Shape

The National - Mistaken For Strangers

Banda a descobrir nos próximos tempos...

quinta-feira, junho 21, 2007

Fim de tarde...

Sabe bem de vez enquando baldarmo-nos aos compromissos e aproveitar um fim de tarde a meio da semana como se fosse já fim-de-semana…
Trocar a cadeira da sala de aula por uma numa esplanada, por um pires de caracóis e uma cerveja.
Sabe simplesmente bem de vez enquando esquecermo-nos dos compromissos e fugir à rotina…Nem que seja por breves momentos a nossa vida parece mais leve, mais simples, mais gostosa.

quinta-feira, junho 14, 2007

1º Encontro de Boas


Há um ano atrás andávamos todas ainda inocentemente a sonhar o que poderia ser as nossas vidas…
As ilusões do costume, as promessas do costume e depois os mesmos desencontros.
Dizemos sempre que o tempo não nos vai separar, que nos vamos encontrar sempre a cada esquina, que os jantares serão mais que muitos… e depois o tempo passa, os telefonemas escasseiam, o presente de uma forma ou de outra ocupa-nos e faz-nos adiar aquele passado para um futuro mais à frente.
Quase um ano…
Incrível como nos levou tanto tempo a conseguir juntar as agendas, a marcar uma data e a reagir com entusiasmo à esperada jantarada, aos momentos de pijama e risadas antes de dormir, às pequenas confidencias que podemos fazer umas às outras…
Quase um ano a decidir ser, nem que seja por um fim-de-semana, nós as BOAS novamente.

È com um prazer meio triste meio feliz que vou a este encontro de velhas amigas da faculdade, se por um lado é extremamente gratificante ter passado todas as etapas e estarmos nesta agora, por outro lado este primeiro encontro confirma que tudo o resto já passou.

Só nos resta congelarmos estes momentos!
Eles permitem-nos ser criança mais um pouco…

terça-feira, junho 12, 2007

Santo Antonio!


Não gosto particularmente de sardinha assada, nem de multidões, nem de música de arraial portuguesa e afins, sobre as marchas prefiro não me prenunciar.
São puras expressões “alfacinhas”, pura cultura popular portuguesa.
Acho que o que mais gosto dos santos são mesmos os manjericos.
Mas este ano vou ver de perto, como se passa a noite de Santo António por vielas a abarrotar de gente, cheias de fumo de fogareiro e cheiro a sardinhas que se entranha na roupa…
Vou tentar por hoje ser uma verdadeira Portuguesa!
P.S. Começaram neste preciso momento a mandar os foguetes!
Outra manifestação que eu não entendo!

sexta-feira, junho 08, 2007

Sinto-me cansada, não é no meu corpo… é em mim…
Sinto-me como Sísifo, carregando inutilmente qualquer coisa que volta sempre ao mesmo lugar…
Queria que passasse…


Não se conseguia satisfazer…
Pensava sempre no mundo de coisas que ainda não conhecia, sentia aquela sensação de perda em relação a tudo o que já passara, aquela estranha certeza de que algo não volta mais. Não imaginava assim a vida, como pedaços estanques de tempo, etapas, fases, ocasiões. Tudo devia ser um todo, e como num DVD deveríamos poder fazer zapping entre as cenas, devíamos ter acesso aos extras, devíamos poder controlar tudo, saber de tudo, devíamos poder ir construindo o making of da nossa vida, e vê-la de vez em quando como se de um trailer se tratasse.
Mas não, a consciência do tempo a passar apoderara-se dela, tempo estanques como barreiras, dias, semanas, meses, anos, tudo bem delimitado e marcado por um calendário cruel, imparável.
Ia guardando meticulosamente fotografias, vídeos, bilhetes, cartões tudo o que lhe permitisse montar às peças um passado e construir com referências um futuro. Como se de um lego se tratasse.
Mas não se satisfazia.
O tempo a passar parecia uma maldição, nunca chegava para apreciar as coisas boas. Era sempre demasiado longo para as coisas más.
Maria sentia-se assim, perdida.
Viajava só, por estradas desconhecidas, levava a janela aberta por onde entrava uma brisa fresca de fim de tarde, o sol punha-se atrás de si em cores múltiplas de beleza.
“Amanha será um dia quente!” é o que nos diz o céu.
Mas amanhã o que será?
Não dá para adiantar a cena!
Mais um dia vazio, mais uma grande perda de tempo? Ou simplesmente haverá algum mar de emoções? Poderá ser amanhã um dia memorável, valerá a pena recortar pedaços dele e colocar na gaveta das memórias?
Maria não sabia, sentia-se angustiada.
Tirara aqueles dias só para si, para fechar etapas, para reconhecer finalmente que não tinha controle sobre o tempo que passava. Havia tantas gavetas cheias de recortes, tantas colagens por acabar, tantas memórias a necessitarem de um comentário, tantas imagens do making of para montar.
Queria deixar a folha em branco.
Fechar de vez aquele livro velho cheio de sensações. Boas, más, assim-assim. Fantasmas na sua maior parte, fantasmas que lhe assombravam os dias e os momentos de silêncio insistentemente.
Compreendera ao fim de tantos anos, que não poderia nunca sentir todas as sensações, que não poderia nunca ir a todos os lados, conhecer todas as pessoas, compreendera ao fim de tantas anos a sua pequenez, a sua fonte de insatisfação.
Queria deixar de ser aquela mulher errante, queria fechar o ciclo, queria ser feliz nas pequenas coisas…
Avançava por uma estrada ladeada de pinhal denso, não sabia bem onde a levava. Mas não interessava, estava de férias, tinha o depósito cheio e só procurava um lugar, a paz interior.
O sol desaparecia já totalmente no horizonte criando aquela ponte pálida entre o dia e a noite…
Correu uma lágrima pelo seu rosto…
“Arrumar as gavetas dói, é como se vivêssemos tudo de novo”. Pensou, por entre sorrisos e apertos no coração, por entre a tristeza profunda e a felicidade extrema, por entre aquele turbilhão de coisas que foi sentido, Maria estava ali, a controlar a sua vida. A vê-la, a revê-la, a avaliá-la, a perdoar e a perdoar-se.
Estava ali a explicar-se, a entender-se…
Continuou de viagem durante largas horas.
Parou exausta, extasiada. Procurou onde dormir.
Deixou-se cair em cima da cama com um desalento próprio de quem encontrou aquilo que procurava, e ao faze-lo compreendeu que isso esteve sempre ali, à sua mão.
Bastou parar.
Bastou sentir-se, remexer nos seus pedaços, estava tudo ali. Afinal poderia viajar na sua vida sempre que pretendesse, a sua vida era ela e ela estava ali…
Havia coisas más, coisas boas e coisas assim-assim.
Não sabia dizer se estava satisfeita, mas pela primeira vez na vida sentiu um prazer subtil em adormecer, como se nada no mundo fosse melhor do que deixar-se ir lentamente do mundo real para o imaginado. Sem pressas, sem perdas, sem pensar no ontem nem no amanha…

sexta-feira, junho 01, 2007

Devia ser proibido vir trabalhar após uma noite como a de ontem, a estas horas e para poder ter tempo de fazer a digestão correcta de tanta informação, devia estar eu sentada numa esplanada, de óculos escuros a olhar para um jornal, enquanto recostava lascivamente o meu corpo na cadeira. Degustando um belíssimo café, delta Diamante e vivendo mentalmente todos os momentos. Apreciando os pequenos detalhes, deleitando-me com os tímidos raios de sol do dia de hoje…
Pensando…
Mas não, lá tive eu de vir trabalhar, atrás deste monitor, há lá coisa mais limitativa da imaginação que um escritório? Quatro paredes, secretária, impressora, computador e papel aos montes, e o raio do telefone que nunca se cala…

Andrew Bird - Nervous Tic Motion... Lisbon 31st May 2007

Lindo,lindo, foi simplesmente lindo.
E sim, veio de meias com riscas cor-de-rosa, um mimo.

quinta-feira, maio 31, 2007

Andrew Bird, é hoje!



Será que ele hoje também vem de meias às riscas?

Mal posso esperar para ver...

Andrew Bird, hoje às 22horas no Cinema São Jorge em Lisboa

terça-feira, maio 29, 2007

Leituras...


Não sendo de todo o livro mais empolgante que li, pode-se dizer que pelo menos teve a capacidade de me fazer “largar” aquele sorriso maroto de quando em quando.
Muito sentido de humor, muito sarcasmo, muitas piadas daquelas de cortar à faca, literalmente.
Esta é a história do Inspector Porto Brandão que trabalha na Judiciaria, um psicopata sem o menor sentido de moralidade, mas com um sentido estético muito apurado no que toca à sua obra (neste caso, aos seus assassinatos!). Este senhor anda a investigar… os seus próprios crimes.
No entanto a história adensa-se com o passar dos capítulos, aparece um “copycat" deste nosso serial Killer, alguém tenta incriminar elementos da força policial, alguém desconfia, e no fim surpreendentemente… a prova de que as provas nem sempre tem razão.
Um bom entretenimento para fim de tarde.
E um bom começo para esta minha incursão pelos policiais.

segunda-feira, maio 28, 2007


[first lines]
Princess Irulan: A beginning is a very delicate time. Know then, that is is the year 10191. The known universe is ruled by the Padishah Emperor Shaddam the Fourth, my father. In this time, the most precious substance in the universe is the spice Melange. The spice extends life. The spice expands consciousness. The spice is vital to space travel. The Spacing Guild and its navigators, who the spice has mutated over 4000 years, use the orange spice gas, which gives them the ability to fold space. That is, travel to any part of the universe without moving. Oh, yes. I forgot to tell you. The spice exists on only one planet in the entire universe. A desolate, dry planet with vast deserts. Hidden away within the rocks of these deserts are a people known as the Fremen, who have long held a prophecy that a man would come, a messiah, who would lead them to true freedom. The planet is Arrakis, also known as Dune



Paul: What's in the box?

Paul: I must not fear. Fear is the mind-killer. Fear is the little-death that brings total obliteration. I will face my fear. I will permit it to pass over me and through me. And when my fear is gone I will turn and face fear's path, and only I will remain
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Palavras para quê? Este filme feito no ano de 1984 (ano em que nasci) chega a mim 23 anos depois, e mesmo assim enche-me as medidas.
Achei-o delicioso, apesar de estar um pouco céptica ao início, mas isso não é defeito é mesmo do feitio!
No entanto revelou-se uma história simples e empolgante, com cores bonitas e fantasias de um futuro muito distante muito equiparado a uma idade média. Na minha cabeça, as personagens iriam ter um ar bem mais futurista, no entanto a sua indumentária lembram-me invariavelmente um conto de fadas cheio de Reis e princesas e no entanto não tem nada a ver.
Gostei também dos conceitos, a tal especiaria, também muito idade média, muito histórias de alquimistas e afins.
Está aqui o caminho do Herói todo delineado, na sua estrutura mais clássica. È uma narrativa linear, perceptível. È um filme clássico na sua forma, mas contemporâneo no seu conteúdo.
Já não é muito usual no Lynch.

Definitivamente gosto desde senhor: Kyle MacLachlan.

quinta-feira, maio 17, 2007

100!!!

O Post anterior foi o Post número 100!
Parabéns a mim, que tenho tido gosto em escrever, e parabéns a todos os que tem tido paciência de ler.
Um abraço para todos os amigos e conhecidos que por aqui passam*

Lisboa...


Ontem sai do trabalho na zona de Marvila decidida a encontrar um caminho mais confortável para chegar até à Graça ao fim da tarde onde três vezes por semana tenho aulas.
Seguindo as indicações do meu pai (muito entendido nestas matérias!), segui em direcção a Xabregas, passei por detrás da estação de Santa Apolónia, virei à direita junto ao Colégio Militar e lá fui eu subindo por ruas inclinadas de calçada/alcatrão (conforme lhes dá jeito, ainda não percebi). Tudo corria bem até que esta cabecinha, chegada a uma rua, que até é minha conhecida, mas que vista de outra perspectiva me deixou baralhada, em vez de subir desci. Quando dei por mim andava perdida na encosta do castelo de São Jorge entre a calçada da Graça e outro mundo qualquer.
Até achei divertido, quando tenho tempo faço umas “visitas de estudo” deste género.
Mas a minha alma ficou estupefacta com o cenário que se abriu.
Haverá no resto da Europa alguma capital tão degradada e tão degradante como Lisboa?
Prédios decadentes prontos a desabar, ruas esburacadas onde a tão tradicional calçada portuguesa é agora uma estranha mistura entre bocados de cimento, pedaços de alcatrão, velhos paralelos gastos e escorregadios. A viagem pelas ruas deu-me a sensação de estar numa favela brasileira.
Tenho pena! Acho tão catita aquela zona da cidade, tão banhada de sol, com um misticismo tão seu. Mas esta visão acaba quando se sai do miradouro e se desce pela encosta.
Depois de alguns meses a frequentar o Cais do Sodré, de prédios imponentes e de ruas largas bem ao estilo do Marques de Pombal, nas quais o melhor é não olhar para cima, pois ao fazer isso apercebemo-nos que a partir do 1ºandar, qualquer um daqueles prédios não passa de um esqueleto de outros tempos pronto a desabar, e agora com esta incursão pela zona mais alta de Lisboa só posso tirar uma conclusão.
Lisboa está decrépita! A precisar de outro terramoto com certeza.
È pena que os turistas que vêm de fora levem como recordação fotografias de escombros. E ainda mais quando se prevê que o turismo na zona de Lisboa vai crescer mais nos próximos anos do que em qualquer outra zona do pais.
Talvez fosse altura de reduzir o perímetro visitável ao parque das nações e outras zonas afins.
Não vá qualquer dia desabar um prédio em cima de um grupo de turistas ingleses. Já viram as páginas de jornal que uma coisa dessas dava nos dois países?!
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Estava eu aqui a dissertar sobre o estado caótico das zonas antigas da cidade, quando recebo um telefonema.
Hoje não há aulas, a minha escola a Academia, recentemente mudada para um prédio a 20 metros do miradouro da graça foi assaltado ontem à noite.
Bem, está o cenário a ficar bem melhor não está!!

quarta-feira, maio 16, 2007

Andrew Bird performing Plasticities on Letterman

Dia 31 de Maio,pelas 22horas no São Jorge.
Lá estarei...

24 DAY 6 SEASON 6 TRAILER PREVIEW PREQUAL

E este é o vicio que vem a seguir...
As quartas-feiras na rtp 2 pelas 22h30

24 season 5 trailer

O vicio do momento lá por casa...

Apetecia-me...


Um gin tónico, uma tarde quente sem vento, uma esplanada isolada com vista para o mundo, e silêncio.
Muito silencio, silêncio para que eu pudesse fechar os olhos e imaginar os meus sons, para que pudesse viajar pelos meus mundos.
E sol, muito sol brindando a minha pele…


Enfim, parece que tenho de continuar aqui fechada…

segunda-feira, maio 07, 2007

Bilhete Postal...


Voyager of the Seas, Villefranche-Sur-Mare, Mónaco e Barcelona...

segunda-feira, abril 30, 2007

Cheiros...


Subiu as escadas arrastando-se. As malas pesavam, o dia já ia longo.
Sentia sempre aquela sensação de cansaço ao subir até aquele segundo andar. Amaldiçoava a falta de elevador daquelas construções antigas, perdidas nas ruelas de calçada. Mas esta sensação só durava até alcançar o seu patamar, amplo e banhado por aquele vitral grande voltado a poente, iluminado de manhã à noite.
Pousou as malas no chão, procurou desajeitada pelas chaves nas malas, haviam sido tantos meses em viagem, por momentos breves quase se esqueceu que pertencia ali, que aquela era a sua casa, que tinha de voltar um dia.
Colocou a chave na porta, rodou lentamente, deu aquele jeitinho especial que a porta velha e entorpecida pedia e abriu. Uma mancha de luz foi cobrindo a sombra existente no chão, o pó levantou-se à passagem da porta, um mundo em suspenso começou de novo a viver.
Deu um passo em frente, inspirou longamente. Aquele cheiro. Na sua casa havia um cheiro único, inigualável. Uma mistura entre o seu cheiro pessoal, a cremes e perfumes, a produtos de limpeza, a incenso e a comer. Tudo coisas que tantas outras pessoas podem também usar, mas que ali, na sua combinação aleatória pessoal criavam aquele odor tão nostálgico, tão peculiar que poderia identificar como sendo a sua casa em qualquer parte do mundo.
Inspirou tão solenemente esse cheiro à entrada da porta, e reteve-se alguns segundos. O olfacto é acomodado, acostuma-se rápido e deixa de sentir.
Entrou, apressou-se a largar as malas a um canto e a abrir a janela que dá para a rua. Abriu-a de par em par, deixou entrar aquela brisa de final de tarde. Espreitou pela varanda, acenou às vizinhas que às suas janelas comentavam já: “A menina voltou.”
Olhavam-na com curiosidade, tentavam perceber no seu rosto as diferenças, na sua inocência pensavam que alguém que havia visto o mundo parceria diferente.
Não se deixou incomodar, sabia que aquelas pedras da calçada viviam disso, de pequenas conversas de esquina, de afirmações e exclamações sobre a vida alheia, de pequenas perguntas deixadas a pairar no ar. Sabia de tudo isso quando há um par de anos tinha escolhido aquele prédio antigo, pintado de cal com rodapés azuis, com janelas de sol, com tectos baixos e histórias para contar.
Tinha dado tantas voltas, tinha visto mares, montanhas, pessoas no meio do silêncio, pessoas no meio da confusão.
Tinha visto tudo, sentia.
No seu intimo tinha sentido aquela vontade enorme de partir, de ver coisas, de procurar. Achava que era do mundo, que a sua casa seria em qualquer lugar.
Passaram tantos meses, tantas camas usadas, tantas comidas diferentes, e cheiros, tantos cheiros estranhos, agradáveis, tristes, doces e amargos, tantas luzes tantos ângulos de ver o sol.
Agora, ali, com as suas mãos pousadas nos ferros forjados da sua varanda voltada a poente, a olhar o horizonte entrecortado por telhados e velhas antenas, agora que o cheiro do seu mundo já se havia diluído em si, que já não conseguia sentir aquela amálgama de odores seus, agora que já fazia de novo parte daquele universo saltitante de pequenas coisas. Sentia que poderia estar em muitos sítios, que poderia viver nas terras do sol nascente, que se poderia banhar nas águas quentes do pacífico, poderia até correr pelas ruas de uma qualquer cidade movimentada cheia de néons e barulhos.
Poderia estar onde quisesse, mas só havia um sítio onde se sentiria em casa.
Ali, na sua velha rua de calçada, a colocar a chave naquela velha porta de madeira que teimava sempre em emperrar.
Ali, naquela rua onde as pessoas comentavam a sua volta. Só ali, entre aquelas paredes que guardam para si aquela mistura de essências só suas, aquele cheiro tão natural, a comer, a perfume e creme, a incenso de baunilha, a detergente de lavar o chão e a banho acabado de tomar.
Aquela mistura tão banal de coisas que toda a gente tem em casa, mas que na sua casa, por breves instantes ao entrar se sentia, como a essência única e especial que era a sua casa.

sexta-feira, abril 27, 2007

Apetece-me dar-vos musica...

Às vezes fico assim… num silêncio frágil. Como se todas as palavras tivessem fugido de mim apressadas para bem longe e me fosse impossível prenunciar um som.
Fico assim num silêncio, cheia de coisas para dizer, mas dentro da minha cabeça nenhuma ideia se junta e conjuga com outra, nada bate certo, não surgem pensamentos…não surge nada…

terça-feira, abril 10, 2007

Caminhos...


Faço este caminho três vezes por semana, à tardinha. Como estamos em Lisboa, esta bela Localidade, o trânsito é tanto e tão lento que até dá para me ir dedicando a captar imagens.

Cada um faz o que pode para se abstrair do trânsito!!!

segunda-feira, abril 09, 2007

Há lugares assim...

Onde o tempo pára...
E nós ficamos embevecidos a ver a chuva que cai sobre um manto verde pintalgado de cores que anunciam a Primavera.
Lugares que na tristeza do Inverno ou no fulgor do Verão serão sempre assim, deslumbrantes, imponentes, únicos.
E quando posso estar assim, quieta a olhar a chuva da esplanada, comendo o meu doce, bebendo o meu café, acompanhada, lendo jornais, rindo das notícias, penso. Sinto-me tão calma, é tudo tão simples, tão sem pressa, nem um toque de exuberância, nada de extraordinário, só coisas simples nesse momento.
Fecho os olhos, sinto o sopro do vento, sinto. "Deve ser esta a sensação! É isto que é ser feliz."






Miss Mia Wallace

A vida no campo é boa e recomenda-se!



Pelo menos para a Miss Mia Wallace não se poderia estar melhor....

Muito miminho da família, muita terra para se esfregar, muitas moscas para caçar, e a certeza que ao fim do dia há um sofá quentinho para dormir.

quarta-feira, abril 04, 2007

"It´s a trange world, isn't it?"





Jeffrey: There are opportunities in life for gaining knowledge and experience. Sometimes, it's necessary to take a risk. I got to thinking. I'll bet someone could learn a lot by getting into that woman's apartment. You know, sneak in, hide, and observe.

Sandy: Sneak into her apartment?

Jeffrey: Yeah.

Sandy: Are you crazy? Jeffrey, she's possibly involved in murder. This is givin' me the creeps.

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Sandy: I don't know. I mean, it sounds like a good daydream, but actually doing it is too weird. It's too dangerous.

Jeffrey: Sandy, let's just try the first part. No one will suspect us. Because no one would think two people like us would be crazy enough to do something like this.

Sandy: You have a point there.

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Sandy: I don't know if you're a detective or a pervert.

Jeffrey: Well, that's for me to know and you to find out.

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Sandy: [smiling] It's a strange world, isn't it? [Jeffrey nods in agreement]


Simplesmente estranho... Tive de deitar a cabeça na almofada e pensar nele, nas cores, nas imagens, nos diálogos.
E sim, é um mundo estranho, e delicioso ao mesmo tempo, incompreensivel mas tão nitido.
Só contrastes entre aquilo que a nossa mente compreende e aquilo que os nossos olhos conseguem ver.
E lá fui eu a pensar para a cama, a pensar no mistério por resolver, a imaginar as personagens e os seus porquês.
Lá fui eu confusa como sempre, sempre que me proponho a ver um filme do senhor Lynch...
Mas isso não é mau... Em contraste com tantas outras coisas que nos dão que pensar...

terça-feira, abril 03, 2007

Bonnie "Prince" Billy - Strange Form Of Life

Sabe sempre bem ouvi-lo.

Quinta-feira, dia 5 de Abril ao vivo no Maxime em Lisboa...

segunda-feira, abril 02, 2007

Mudança

Não se assustem, fiz uma lavagem, mudei de roupa e agora estou de preto...
Porque o preto fica sempre bem...
Porque as mudanças são boas, e fazem avançar a vida!

sexta-feira, março 30, 2007

A sexta-feira é um dia lindo!

Acorda-se de manha e há todo um sentimento de possibilidade…
Sabe-se que ao fim do dia ficaremos livres, que os próximos dois dias serão utilizados como nos apetecer, simplesmente livres…
Hoje sexta-feira sinto-me leve, esperam-me ainda algumas horas de solidão a percorrer o asfalto, mas hoje é diferente.
A hora mudou e eu poderei ainda ver o pôr-do-sol sobre a planície ainda verdejante do Alentejo…
Poderei ainda abrir a janela do carro e apreciar o vento fresco cheio de cheiros a erva fresca, a mato, ao pôr-do-sol ainda frágil por entre as nuvens mas que lembra as cores de um Verão já anunciado.
E depois, já noite ainda a quilómetros de distância anuncia-se, pintalgada de luzes no sopé, a Serra de São Mamede, para mim, ainda a quilómetros é como se estivesse já em Portalegre. È como se estivesse já a abrir a porta de casa.
Aí o meu espírito abranda, a velocidade do carro diminui e eu vou ao sabor do vento, embalada por um sorriso, com a certeza absoluta que estou no sitio onde devia estar, um sentimento de paz enorme atinge-me…

quinta-feira, março 29, 2007

Prison Break Season 2 Trailer

Mal posso esperar para ir para casa ver mais um episodio.
Esta serie é viciante!

quarta-feira, março 28, 2007

Caís do Sodré...

Imagino que estas ruas devem estar cheias de histórias por contar, que por detrás de cada janela emparedada em tijolos, de cada telhado desabado há um romance...

Imagino o vibrar do chão quando passava o electrico, e o cheiro a maresia ao fim da tarde.
Visualizo o burburinho da noite, o entra e sai daqueles bares ilustrados por neons coloridos, enquadrados em veludos vermelhos.
Vejo tudo isso, o Caís do Sodré devia ser vida.
Hoje, a meus olhos é apenas ruinas, de casas abandonadas, de ruas escuras, de pessoas perdidas...
Os neons estão lá, as cores é que não são mais garridas.









quinta-feira, março 22, 2007

Uma reinvenção de um texto anterior, desta vez pela necessidade de lhe acrescentar núcleos narrativos. As coisas que aprendemos na escola! E o trabalho que isto dá a fazer! Divagar e não dizer nada em concreto apresenta-se como uma tarefa bem mais simples....
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Saiu era já tarde. Disse boa noite ao porteiro e afastou-se do edifício com dificuldade, chovia e estava realmente muito vento.
Hoje Helena sentia-se realmente perturbada, exausta. Ainda não tinha conseguido perceber o porque de se sentir assim. O certo é que havia sido um dia difícil cheia de constantes mal entendidos com os seus colegas de trabalho e problemas de difícil resolução. Helena era uma mulher prática, apesar de na maior parte das vezes parecer viver noutro mundo, detestava conversas de escritório sobre o trabalho e a vida dos outros, no fundo, apesar da sua posição era uma inadaptada naquele ambiente. Não teria sido aquela a sua escolha de vida, mas o rumo natural dos acontecimentos, a sua inabilidade para enfrentar situações desconfortáveis ou para tomar decisões difíceis levaram-na a seguir os sonhos dos seus país, e ali estava ela, advogada seguindo as pisadas do avó, sendo o orgulho dos outros, sendo ao mesmo tempo infeliz com o que fazia.
Dirigia-se ao carro, procurava atrapalhada pelas chaves que haviam de estar algures dentro da mala, lutava consigo mesmo para não deixar cair a papelada que carregava, para o chão. A rua estava deserta. Apercebeu-se do tarde que era, pensou que não tinha jantado.
Viu a sua colega Maria que também se dirigia para o carro, saiu depois de si, mas Maria era mais ágil e dinâmica, Maria tinha por que ir para casa.
-Até amanha Helena! Despacha-te mulher que está um grande temporal! Espera que eu ajudo-te, passa-me a pasta para procurares essas chaves! – Disse Maria chegando perto do carro de Helena.
Helena agradeceu, e Maria continuou a falar com o seu ar despachado.
- Já vistes a horas que são, mal tenho tempo de ver os miúdos antes deles se irem deitar. E o Júlio já anda a ficar chateado com estes atrasos. Temos de acabar com estas reuniões tardias, ainda por cima quando elas só acontecem por falta de profissionalismos de terceiros.
Maria teria ficado ali a debitar frases sobre o atrasada que estava, e o chateada que estava com o resultado da reunião não fosse Helena ter finalmente encontrado as chaves.
-Obrigada Maria por me segurares a pasta, ficava a conversa contigo, mas temos de nos abrigar, está a começar a chover mais forte. Disse Helena despedindo-se e entrando para o carro. A amiga afastou-se ainda balbuciando sobre a reunião e depressa desapareceu no escuro da noite.
Helena ficou só, ligou o carro, depois as luzes e logo de seguida os limpa-para brisas. A noite fechava-se, Helena iniciou então a viagem. Avançou devagar pela noite, sentia-se exausta. Ia ainda a pensar na sua amiga Maria e na sua vida agitada, no seu par de filhos e no seu marido sempre atencioso. Viu de novo as horas, pensou em jantar e ai viu claramente a sua chegada a casa. Aquela sua casa de sempre, vazia.
Ninguém a esperaria para jantar, ninguém lhe abriria a porta, e no seu prédio antigo ninguém apareceria para lhe segurar a pasta até encontrar de novo as chaves perdidas na mala. Já se via com o seu ar desajeitado e desgrenhado pelo temporal em frente à sua porta, a resolver a mala, a perder as folhas de papel e a implorar por um pouco de descanso para si.
Continuava a viagem lentamente, parou agora num sinal vermelho. Não lhe apetecia seguir para casa, nem para lado nenhum em especial. Não sabia o que haveria de fazer consigo.
Assim ficou até que o carro que estava atrás de si apitou nervosamente. Tinha de decidir por onde ir, continuava a chover, não queria ir para casa sozinha, não tinha mais para onde ir. Encostou o carro no primeiro sitio que encontrou e deixou-se ficar. Ficou a remoer o seu penoso dia, os últimos anos, ficou a tentar perceber o que tinha deixado para trás e onde. Hoje sentia-se triste, apetecia-lhe ser outra pessoa qualquer.
No meio da sua distracção enquanto vagueava por aquele mundo que construíra só para si, algo de estranho se passava lá fora, um silêncio diferente do comum envolvia a noite.
Ao fundo junto ao poste da luz um casal debatia algo calorosamente, mas ao mesmo tempo de um modo suspeito. Deteve-se naquela imagem por segundos. O que discutiriam duas pessoas à aquelas horas no meio do temporal?
Porque pareciam tão estranhos? – Perguntou-se.
O certo é que não conseguiu desprender-se daquela esquina. Deixou-se da sua melancolia, foi como se entrasse na vida dos outros. Abriu até um pouco a janela na tentativa de ouvir alguma palavra solta trazida pelo vento, conseguiu perceber que a conversa inicial azedava, que neste momento estava já a ficar feia.
Foi nesse momento que apareceu um terceiro elemento que os deixou petrificados.
De concorrentes acessos na conversa anterior passaram a falar em sintonia.
Mas o outro homem parecia inflexível, nervoso, e mesmo antes que Helena pudesse sequer reflectir sobre o que estava a ver o homem caiu redondo no chão tomado pelo que lhe havia parecido um tiro. Fora um som abafado, não tinha a certeza, mas a única reacção de Helena foi esconder-se, baixar-se o mais possível no seu banco e tentar não ser vista.
Conseguiu perceber que fora apenas um tiro, e que de seguida houve um grito feminino abafado, mas poucos segundos depois a rua estava de novo deserta, apenas se ouvia a chuva e os carros apressados do outro lado.
Tomou coragem e espreitou pela janela, Helena viu o corpo abandonado no chão, abriu a porta e correu até ele, tomou-lhe o pulso, nada mais havia a fazer.
Sentiu então uma revolta enorme. Não percebera o que se havia passado ali.
Estava ela a lamentar a sua triste vida de solitária, ela a ver-se na sua atrapalhação enquanto isso aquele pobre homem morria e sabe-se lá qual seria o destino daquela mulher.
Voltou ao carro e telefonou para o 112 a dar conhecimento do que se havia passado.
Voltou para junto do corpo e ali ficou observando o rosto ainda jovem e ainda com traços de vida.
Como aquilo poderia ter acontecido na sua frente? Pensou. “Como não pode eu fazer nada!”
Conhecia bem o sistema judicial, e nesse momento percebeu que aquele havia de ser só mais um crime indesvendável para cobrir as páginas de jornal.
Ai percebeu que o acaso a havia levado ali por qualquer motivo, e esse motivo era salvar a mulher que havia sido levada, era fazer justiça aquele homem.
Não sabia os motivos que levaram àquela morte. Mas para ela ninguém por pior que fosse merecia morrer.
Helena ficou ali sentada, junto ao corpo, encharcada pela chuva da noite esperando pela chegada das autoridades.
Dentro da sua cabeça foi-se desenhando um mundo de coisas e de possibilidades.
Helena percebeu que estava naquele sítio naquela hora para ver aquilo.


Depois de toda a confusão, interrogatórios, policia, jornalista e afins, voltou para sua casa.
Ia encharcada, meteu-se na banheira e ficou dentro da água quente durante um longo tempo.
Ai pensou, e pensou, não conseguia perceber tudo aquilo.
A misteriosa mulher não havia ainda aparecido, ainda não se haviam encontrado razões para o acontecido.
Matutou naquilo, revolveu a sua mente, sentia-se ligada àquilo, sentia uma necessidade de respostas, de explicações.
Deitou-se ainda a pensar no sucedido.
Levantou-se com aquela sensação de que não dormira.
Tomou o pequeno-almoço apaticamente enquanto lia os jornais.
O crime era manchete. Sentiu ainda mais sede de desvendar o mistério.
Decidiu ali que iria pesquisar, só por curiosidade, tentar saber quem eram os protagonistas.
Sentiu um formigueiro pelo corpo, sentiu-se excitada com a possibilidade de se meter em algo perigoso.
...

terça-feira, março 20, 2007

The Doors "Love Me Two Times"

1967 - 2007 - esta semana na antena 3, de 2ª a 6ªfeira, pelas 22h, cinco programas dedicados em exclusivo aos The Doors*

quinta-feira, março 15, 2007

Que leitor sou eu?

(1º exercicio, de leitura obrigatoria e embaraçante perante desconhecidos em sala de aula com cadeiras dispostas em circulo, ninguem me contou que isto era assim!)

Procuro diferentes vidas
Sítios onde não fui
Sentimentos que não vivi
Maneiras de ser desconhecidas

Procuro me libertar
Ser eu sendo outra pessoa
Viver através de outro olhar
Sentir, perceber como a vida pode ser boa

Procuro me abstrair
Sair de dentro de mim e estar noutro lugar
Procuro aprender, chorar e rir
Procuro uma forma simples de sonhar

Procuro perceber as incondicionais verdades
Escondidas no pensamento das personagens
Conheço-me conhecendo outras personalidades
Através dessas longas e inventadas viagens

segunda-feira, março 12, 2007

1º dia de aulas

Tantas vezes a experiência passada, tantas salas novas depois, tantos rostos intimidantes já vistos, supunha que esta vez haveria de ser bem mais fácil…
Mas não. Ali estava eu nervosa e com um friozinho no estômago à espera de entrar para a sala e encarar rostos desconhecidos e avaliadores, que na maior partes das vezes se estão nas tintas para nós, mas que na nossa cabeça não param de nos fixar atentamente, como se não houvesse mais nada na sala.
Depois vem o embaraço da apresentação. “Eu sou a Ângela…blá, blá, blá…”. Aqui ou se fala pouco e mal, ou muito e bem ou nenhumas das coisas anteriores. De qualquer maneira corremos sempre o risco de parecer simplórios, arrogantes, armados em espertos e tantas outras coisas que mais, que nós próprios pensamos sobre os outros…Aquela crise!
Detesto falar em publico, tremem-me as mãos, gaguejo e o pior é que só me lembro das coisas maravilhosas que podia ter dito depois de me ter calado e passado a vez.
Diria que até correu bem…
Mas lá estava eu, como uma criança assustada para o primeiro dia de aulas…
Pergunto-me será que algum dia me vai passar esta coisa, este desconforto perante pessoas estranhas?!
Ou isto é mesmo maneira de ser?

quarta-feira, março 07, 2007

Saiu era já tarde. Chovia, as luzes espelhavam no chão molhado, os limpa-parabrisas entravam incessantemente no campo de visão, a cidade parecia mais só e vazia apesar de cheia de carros nervosos pelas ruas.
Aquele havia sido um dia difícil, de más memórias. O trabalho durou até tarde, as chatices foram muitas, as recordações, os desenganos vieram para ficar. Sentia-se exausta. Exausta de tudo e de todos. Viu-se ali, no seu carro, no escuro da noite por entre a chuva, desesperou lentamente. Chorou. Primeiro uma lágrima frágil e envergonhada, depois compulsivamente, descontroladamente. Sentiu-se mais só que nunca, mas triste que nunca, mais sem certezas, sem qualquer certeza a não ser o seu rol de duvidas, de mistérios e de erros.
Ali, por entre lágrimas, por entre a chuva, dentro do seu carro velho apeteceu-lhe genuinamente morrer. Morrer não no sentido do fim da vida, mas morrer enquanto aquela pessoa. Morrer da maneira como se conhecida.
Deixar-se simplesmente dormir e acordar de manha noutra cama, noutro sítio, com outras pessoas e outras responsabilidades. Deixar simplesmente de ser quem era e ser ela mesmo sendo outra pessoa, vivendo outra vida.
Queria não ter aqueles pesos em si. Aquelas satisfações para dar, aquelas pessoas a quem contentar, aquele código de comportamento implícito, aquela vida dependente de tantas outras vidas, de tantas opiniões, concelhos e avisos.
Queria simplesmente ser só.
Queria estar numa vida diferente, queria que aquela sua vida morresse, queria viver outra.
Não queria sentir tudo aquilo. Pensou “Isto é apenas porque me sinto cansada, porque o dia correu mal, porque vou chegar a casa e me sentir sozinha, não vou gostar do jantar, vou-me aborrecer com o zapping televisivo e quando der por mim serão horas de dormir, e depois horas de acordar, e depois estarei novamente no sitio de onde venho, com a triste sensação de que acabei de sair dali. Sim, choro de exaustão. Choro…" Talvez chorasse por se sentir infeliz. Talvez as escolhas difíceis, as escolhas livres não fossem nunca livres, talvez ela no meio da exaustão percebesse, que nada do que livremente escolhera fora livre e por isso as suas escolhas não eram felizes…
Ela não era feliz também.
Acalmou-se, a viagem estava preste a chegar ao fim. Sairia do carro recuperada do seu devaneio. Sairia confiante em si, disfarçaria o seu ar inchado de chorar com a desculpa do trabalho, daria de si a imagem competente, confiante, prospera que o mundo esperava. Estaria ali para as suas escolhas como uma fortaleza, aquela fortaleza capaz de proteger tudo, menos a real liberdade.
Quem sabe essa nova convicção duraria até deitar a cabeça na almofada e sentir-se de novo só, frustrada na escuridão.
Quem sabe duraria até ao próximo dia exaustivo e deprimente.
Quem sabe se poderia durar para sempre, como uma reinvenção de si mesma. Poderia ser essa a vida que necessitava.
Ser rocha, ser pedra fria e não deixar-se mais levar pela emoção, pelas noites escuras, pelo cansaço.
Talvez, não poderia matar-se enquanto ela identidade, talvez se pudesse matar enquanto ser emocional.
Pensou. “Se não chorar mais sozinha no meio do trânsito quer dizer que sou feliz? Pelo menos pode querer dizer que não sou triste!”
Talvez chegasse…
Saiu do carro pronta a encarnar-se de novo, sentiu o ar frio da noite no rosto, secou as lágrimas. Continuou com aquela triste sensação.
Não, não chegava matar-se emocionalmente. Nunca chegaria. Teria mesmo que se matar enquanto identidade para o mundo. Teria que ser outra pessoa, queria ser outra pessoa, era imperativo.
Sorriu á noite, deixou cair a chave do carro para o chão, deixou a porta aberta e afastou-se lentamente sem rumo certo, sem certezas de nada.
Avançou na escuridão até se confundir com tudo o resto, até desaparecer.
Foi com um enorme sorriso, sentiu-se livre, livre, completamente livre…
Sabia que não importava o resto…Não importava como seria. Naquele momento sentiu-se completamente feliz…
Matou-se enfim.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Vinho...


Chegou a casa, aquele silêncio. Portadas da janela fechadas, paredes solitárias, preenchidas apenas pelos adereços comprados, iguais aos de tantas outras pessoas. Iguais aos que permanecem noutras casas, talvez cheias de vozes, de cores, de cheiros. Mas a sua casa é vazia, só sua, apenas com o seu cheiro espalhado pelas assoalhadas, ninguém mais habita ali.
Larga os sapatos altos a um canto com um suspiro de prazer, solta os cabelos, deixa-se cair inanimada no sofá. Hoje seria uma noite especial, hoje havia companhia para o jantar, comprou um bom vinho. Ninguém vem.
Exasperou-se ali sozinha olhando aquelas paredes, pousou os olhos na garrafa de vinho, ali pronta para uma noite a dois, pronta para despertar corpos, pronta para a transportar para outros lados.
Abriu-a impulsivamente, que interessa se está sozinha, se o mundo se esqueceu de si? Se se preparou para a aventura e agora está presa no seu castelo só.
Buscou o seu melhor copo, pé alto, em balão, encheu-o. Apreciou a cor e a textura do vinho à luz, riu. Pensou para consigo que aquele era um gesto vazio, estilizado, que percebia ela de vinho?
Bebeu o primeiro trago, de vagar, a sua expressão contorceu-se, era áspero, mas não agressivo, mas a primeira impressão não era a delicia. Experimentou mais uma e outra vez, e os goles foram tornando-se maiores, o seu corpo começou a aceitar, não era uma delicia, não como o chocolate, mas fazia-a sentir coisas, o seu palato absteve-se de opinião.
Procurou um cigarro escondido naquela caixa, que haveria de estar na gaveta da esquerda bem por debaixo do televisor. Havia deixado de fumar, mas hoje, hoje era um dia especial. Hoje estava sozinha, hoje percebera que estava mesmo sozinha, que as suas companhias esporádicas começavam a escassear, que as suas aventuras eram agora menos regulares, menos intensas, hoje percebera que perdera algo pelo caminho, que era esse algo que faltava quando abria a porta de sua casa sempre vazia, sempre escura e sem ar.
Acendeu o cigarro, aspirou o primeiro trago de fumo e deixou-se ficar a ver o fumo sair de dentro de si lascivamente, encheu o copo.
Sentia agora o seu corpo quente, sentiu a sua mente a desprender-se de si, dos problemas pequenos e dos grandes. Sentiu a sua solidão a preencher-se.
Pôs musica.
De novo encheu o copo, sentiu a boca seca, sentiu sede, o seu corpo pedia por mais, mais alma, mais daquele fôlego alcoólico, mais daquela realidade deturpada.
Dançou até ver o fundo da garrafa, ate não se sentir mais em si, dançou até sentir que voava, não tinha mais os pés no chão, não estava mais ali.
Caiu no sofá… Olhou em frente e foi como se cada olho seu tivesse criado vida independente e visse de um modo diferente o mesmo mundo, que bailava à sua frente em cores gritantes.
Levantou-se e abriu a janela de par em par para a noite, deixou-se ficar ao vento. Apeteceu-lhe gritar para o mar de luzes apressadas que se moviam lá fora, apeteceu-lhe insultar o mundo de janelinhas familiares acesas para o jantar. Queria dizer que estava ali sozinha, mas que isso era opção sua, que era feliz, que sempre fora. Queria gritar o seu orgulho naquela ilusão, queria mostrar o que sentia…
Ficou ali indefinidamente, até que o vento fresco voltou a juntar os seus olhos perdidos pelo mundo.
Ai sentiu uma lágrima rolar pelo seu rosto. Acabara a sua euforia, bateu de novo a solidão, não havia gritado as suas loucuras pela noite.
Não podia.
Hoje ficara sozinha, alguém recusara vir jantar. As paredes de sua casa estavam vazias, agora cheirava apenas a si e a um leve aroma de bar.
Hoje percebera que estava sozinha.
Nem mesmo o vinho a poderia acompanhar.

domingo, fevereiro 25, 2007

Não feliz...

Pensou. O que o tempo havia feito de si… Olhou no espelho, deixou cair o roupão suavemente pelos ombros até que a sua nudez fosse completa, crua, simples. Olhou, o rosto estava cansado, baço. Os seios descaídos, as ancas largas. Tudo em si perdera brilho, como se fosse uma flor secando na jarra. Continuava bonita, igual a si, mas sem vida, sem a luz vibrante de outros tempos, sem a aquela sensação extenuante de possibilidade de antes, o tempo passara. Continuou a olhar-se no espelho, de modo simples, inocente. Tocou-se, sentiu um arrepio juvenil, pensou: o que havia feito de si?
Aquelas teorias sobejamente debatidas, as suas ideias de felicidade, da não felicidade, dos momentos intermitentes, aquelas ideias que a justificavam, apenas e só. O sustento da sua vida, as ideias que a faziam prostra-se em frente a um espelho, olhando-se como se estivesse morta, secando já, irreconhecível.
Lembra-se de ter criado a teoria da estabilidade, de dizer que não era feliz porque isso não era possível, para si a felicidade era apenas um conceito, era como uma forte trovada . Passava por todos nós em vários momentos da vida mas não ficava, ninguém é feliz todo o tempo, pensava. Até o que diz ser feliz se entristece e sente num momento especifico uma sensação, como uma onda vibrante que lhe sobe pelo corpo, uma sensação quase física de felicidade. Sensação extenuante, momentânea, felicidade.
Dizia para si que não era triste, era simplesmente uma não feliz. Era estável!
Mas agora ali, aquela imagem que o espelho lhe devolvia, os dias passados, a sensação de possibilidade acabada sobrava-lhe apenas ela, só. Com olhos cansados e um corpo envelhecido. Sobrava-lhe apenas a sua não felicidade, a sua não procura, o seu não arriscar, sobrava-lhe apenas a certeza que não era uma não feliz...
Continuou a olhar-se, sentiu o vento primaveril que se levantou, começa a entardecer, o sol baixava, as sombras emergiam agora pelo quarto, pela imagem reflectida de si.
Recuou, sentou-se na cama, continuou a ver-se, sentiu os cabelos ondularem pelo seu pescoço, sentiu um prazer inocente nisso.
Sentiu que todo o mundo se comportava lá fora de maneira a dizer-lhe que corresse pelos campos afora, assim mesmo, nua, cansada, baça... O mundo dizia-lhe que deixasse de ser uma não feliz, dizia-lhe ao ouvido, num sussurro delicado.
“Sim, corre… corre, é verdade, existe sim, existe a felicidade”.

terça-feira, fevereiro 20, 2007







Lugares comuns, lembranças antigas, os mesmos cheiros de sempre...
Simplesmente adoro esta praia!
Adoro qualquer praia, nem que seja assim, numa tarde ventosa de inverno e eu cheia de casacos e arrepios.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Saudades das paisagens sem fim, do vento no rosto, do tempo, de ter muito tempo.
È incrível como as saudades são, quase humanas, quase dissociáveis de nós mesmos.
Uns dias acordamos e elas doem, outros apenas nos fazem sentir um pouco inertes, longínquos. Noutros, as saudades transformam-se numa espécie de nostalgia, numa esperança enorme que nos faz sorrir, chegam a tocar a felicidade… Levam-nos para outros sítios.

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Emiliana Torrini - Serenade Live

Porque me faz sentir serena...

segunda-feira, fevereiro 12, 2007



Acredito no sol limpo que nasce no outro dia depois de uma noite de tempestade.
Acredito que poderemos sempre ser felizes.
De um modo simples.
Acredito que posso continuar a ver o mundo com estes olhos de criança encantada com cada nova manha que desponta no horizonte. Acredito que posso continuar sempre a sentir o prazer das pequenas coisas banais como se elas fossem novidades nunca antes encontradas...
Acredito que nada nos deve separar do nosso coração, que quando deixarmos que ele deixe de mandar a vida perde-se, nós perdemo-nos neste mundo dos homens, de carros barulhentos, de cidades de betão de massas que se movimentam controladas.
Deixamos de ser nós indivíduos, essência, alma, e passamos a ser só mais um autómato perdido pelas tarefas da vida, daquela vida pré-fabricada, ordenada, destinada a ser daquela mesma forma desde o primeiro dia.
Quero ouvir cada vez mais o meu coração, e ele diz-me que ame e que me deixe ser amada. Diz-me que ame agora o que vou amar sempre, diz-me que devo ser uma criança para sempre apaixonada, cada dia de novo espantada e deslumbrada pela aquela pessoa que vejo sempre, mas que ao abrir os olhos a cada manha é como se visse pela primeira vez, e pela primeira vez sorrisse perante a possibilidade, perante a fantasia do que poderia ser…… E pela primeira vez a vida se revelasse em imagens instantâneas do quotidiano, de nós mesmos. Daquilo que fomos, daquilo que podemos ser, em consciência, daquilo que somos já.

Andrew Bird-A Nervous Tic Motion of the head to the left

Sabe sempre bem ouvir este senhor...

quarta-feira, fevereiro 07, 2007



As minhas prendas...






terça-feira, fevereiro 06, 2007


Nasci à 23 anos...

Serei ainda uma criança que o mundo exige que entre no mundo dos adultos?!

Ou serei já um adulto que apenas queria ainda estar no mundo das crianças?

sábado, fevereiro 03, 2007

Sinto-me triste… Sozinha, perdida no mundo.
Gostava que o tempo passasse rápido para a frente para eu me esquecer…
Ao mesmo tempo gostava que ele pudesse andar para trás… bem lá atrás para quando as coisas eram felizes…

segunda-feira, janeiro 29, 2007




Hoje o sol nasceu e pôs-se como em todos os outros dias… Fez frio, o tempo passou rápido. De vez em quando ficava sozinha, parava por uns segundos a olhar o vazio, o ar como se nele existissem imagens da minha vida, daquela que eu imaginei, daquela que eu queria, mas que no fim de contas não passava disso mesmo, imagens, anseios, expectativas, fantasias minhas.
Mas o dia passou como qualquer outro, como se tudo em mim tivesse parado de sentir para não sentir apenas tristeza.
Pensei que esta coisa das relações, de duas pessoas, do amor, era simples, extraordinariamente simples… Não é.
Gostar só não chega, com o tempo o gostar muito, gostar tanto que até dói passa a ser o que menos interessa, passa a ser só o pretexto para duas pessoas estarem juntas…

domingo, janeiro 28, 2007

Primeiro esta dor, este coração apertado, esta incerteza sobre a vida…
Este sentimento de frustração total, como se tudo o que foi tivesse sido em vão, a insatisfação de saber que nada daquilo que haveria de ser será…
Agora dói, dói mais que ontem, amanha vai doer ainda mais, será uma caminhada crescente até ao ponto em que não se aguenta mais a dor, e ai ela passa simplesmente a conviver connosco, é a nossa anestesia, é o nosso combustível…
Dói, agora dói muito…
A certeza de que todas as minhas certezas eram falsas, a certeza de que agora não sei que fazer mais de mim…

sexta-feira, janeiro 26, 2007

terça-feira, janeiro 23, 2007

Viagens...

Fecho os olhos, lá fora correm luzes, sombras, escuros…
Espalmo a cara no vidro, sorrio como uma criança. Lembro-me de quando era ainda uma gaiata. Da excitação que era ir assim à deriva, dentro de um carro pela noite fora. Aquela pitadinha de alucinação alcoólica, aquela imensa sensação de possibilidade, de impressibilidade, de fantasia…
As cores! As sombras, de novo um candeeiro de rua. Vermelhos, amarelos, escuro.
Vultos, vento, o saco que rola na rua, os dois pontos vermelhos do gato esguio que atravessa a estrada. Fantasia… Como uma bolha insonorizada, em que nada chega, nem um som, nem uma interferência, nada…e ouve-se aquela música, só dentro de nós, como se fosse a banda sonora do mundo.
O mundo pintado na nossa imaginação, pelo mundo que rola lá fora à velocidade a que vai o carro…
E a vida apresenta-se dentro de mim, transforma-se, revive-se, dramatiza-se… A vida é por momentos como eu queria que fosse…
Até que o carro pára, a bolha rebenta e o mundo volta ao normal…

domingo, janeiro 14, 2007



Ver a nossa vida ficar para trás, sendo uma imagem cada vez mais pequena no espelho retrovisor doí...

Fica o meu coração pequenino, apenas preenchido com a imagem baça que vai ficando para trás... Fica o meu coração ansiando pelo próximo dia em que o caminho vai estar de novo à minha frente...

sexta-feira, janeiro 12, 2007

A caminho de Portalegre...


Haverá coisa mais difícil de explicar do que esta sensação de iminência de algo, esta ansiedade de se cumprir as etapas, este dia inteiro de ansiedade, com constantes olhares disfarçados para o relógio que não avança...
E já é hora de almoço. E depois virá a tarde. Quando sair o trânsito vai estar contra mim, a avenida cheia, a ponte entupida… Já vai ser de noite.
Depois, depois serão quase 200km escuros, ora de estrada boa, ora de estrada apertada. Toda ela conhecida.
O rádio ligado nas horas das noticias, o mp3 quando me fartar de ouvir vozes estranhas, de novo o rádio.
Mas quando ao fundo daquela grande recta se avistar a colina, aquelas luzes tão familiares dispersas pela encosta, aqueles 19 kms a partir da placa de informação sempre em frente rumo à minha Portalegre, serão feitos com um grande suspirar de alívio.
Cheguei, cheguei a casa!
E ai tudo vale a pena, a ansiedade do dia. Os dias todos que tiveram de passar antes de lá chegar.
Mais uma olhadela ao relogio pelo canto do olho…
Ainda é cedo nesta tarde… Ainda tenho muito que esperar.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Um sítio maravilhoso como Arronches, boa comida, boa musica, muito boa companhia…
Que mais poderia eu pedir para começar o novo ano!!!
Se 2007 for tão bom, com tanto agito, com tanta emoção como foi a passagem de ano, poderei dizer, que belo ano que ai vem!!!

Desejo um bom ano a todos*